Você está pronto para a próxima geração de gerenciamento de rede?

Por Colaborador externo | 11 de Setembro de 2015 às 11h44

Por Marcos Corrêa*

Reconhecendo a natureza dinâmica de TI, verificamos algumas mudanças em curso que têm um impacto significativo na engenharia de rede, afetando diretamente a abordagem mais tradicional para o seu gerenciamento. Três fatores-chave vêm transformando o papel da gestão de rede e a organização atual da área de TI. São eles:

A pressão para mostrar seu valor para os negócios

Ao longo dos últimos anos intensificou-se a pressão dentro das organizações de TI em relação à apresentação do valor do negócio. Uma das razões é que as próprias companhias estão sob progressiva pressão para crescer e se adaptar. De acordo com o Dr. Richard Foster da Universidade de Yale, a vida longa e robusta de negócios está em perigo. "A média de expectativa de vida de uma empresa S&P 500 diminuiu mais de 50 anos no último século, de 67 anos na década de 20 para apenas 15 anos hoje."

Foster também afirma que "em 2020, mais de três quartos do S&P 500 será de empresas que ainda não ouvimos falar." Outra razão para o aumento desta pressão é a correlação entre desempenho e receitas, uma vez que quando o desempenho de um ou mais aplicativos críticos de negócio está apresentando baixo desempenho, a empresa perde receita e clientes.

O impacto nos negócios de uma infraestrutura de rede saudável de alto desempenho pode ser relacionado diretamente a receitas e retenção de clientes. A abordagem tradicional de gestão de rede dificulta que uma organização de TI identifique e resolva rapidamente a causa raiz de desempenho degradado de aplicação e/ou rede.

A crescente presença e a ameaça dos serviços de nuvem pública

No atual ambiente tornou-se comum para empresas e gerentes funcionais adquirirem diretamente serviços ou aplicativos que, de outra forma, não poderiam obter de sua organização de TI, ou ao menos não de maneira oportuna ou custo efetivo. Este fenômeno é ativado pela presença crescente de provedores de nuvem pública e é impulsionado em parte pelas mudanças de expectativas dos usuários. Ao contrário da situação de cinco ou dez anos atrás, os funcionários de hoje têm acesso à internet de alta velocidade tanto em casa quanto em uma variedade de dispositivos móveis. Eles têm literalmente centenas de milhares de aplicativos na ponta dos dedos para rapidamente fazer download gratuito ou com pouco custo. Como resultado, os funcionários desenvolveram um alto nível de expectativa para os serviços que recebem – seja de sua organização ou de terceiros.

Desta forma, já que a utilização dos serviços de nuvem pública não vai desaparecer, as organizações de TI precisam ter a capacidade de gerenciar seus serviços de TI, mesmo se os recursos que oferecem suporte a esses serviços estiverem sob seu controle ou de um provedor de nuvem pública.

O movimento em direção a uma função de TI centrada em software

Até recentemente, todos os principais componentes da infraestrutura (computação, armazenamento, redes) eram centrados em torno do hardware. Este modelo influenciou o papel interpretado por um engenheiro de rede em cada estágio do ciclo de vida do equipamento incluindo aquisição, instalação, configuração, gerenciamento e solução de problemas.

Há cerca de cinco anos, as organizações de TI começaram a adotar a virtualização de servidores – primeiro passo para uma função de TI centrada em software. Hoje a maioria das organizações implementa formas adicionais de virtualização, incluindo a virtualização de dispositivos tais como controladores de otimização de WAN. Mas apesar da resistência de virtualização, a rede está em mudança fundamental com a adoção emergente da Rede Definida por Software (SDN).

Em um ambiente de TI centrado em recursos de hardware, aspectos como computação, armazenamento e redes, raramente mudam. Em um ambiente centrado no software, por sua vez, esses recursos frequentemente mudam, o que complica significativamente o gerenciamento da rede, incluindo monitoramento e solução de problemas.

O papel emergente do engenheiro de rede

O papel dos engenheiros de rede está mudando. Daqui para frente, engenheiros de rede vão gastar menos tempo em tarefas como configurações de dispositivos, resolução de problemas, implantação de hardware e tarefas de gerenciamento reativo. Passarão a dedicar este precioso recurso em iniciativas como inovação e negócios, projetos arquitetônicos, programação, gerenciamento de políticas abrangentes e tarefas de gestão proativas.

O Guia de SDN e NFV 2015 contém resultados de uma pesquisa em que os entrevistados foram convidados a indicar o tipo de impacto sobre os seus trabalhos que já tinha ocorrido devido à implementação atual de software baseado em funcionalidade ou o que eles esperavam que ocorreria. Suas respostas incluíram:

  • A maneira de projetar, implementar e solucionar problemas de redes vai mudar muito
  • O trabalho vai exigir novas habilidades em geral e mais conhecimento de programação em particular
  • Haverá novos requisitos de segurança
  • Como nós adotamos DevOps, amplas habilidades básicas são necessárias
  • Vai haver menos ênfase em silos de tecnologia
  • Novas arquiteturas precisarão ser desenvolvidas
  • Vai haver uma grande quantidade de re-treinamento e reorganização

Lidar com tecnologia em evolução é negócio costumeiro para as organizações de TI. No entanto, a amplitude e a extensão das mudanças que atualmente estão impactando as organizações de TI representam mais do que apenas negócios costumeiros. Elas representam uma mudança fundamental em como a organização funciona em geral e, em particular, o papel do engenheiro de rede.

As seguintes perguntas são projetadas para permitir que o leitor faça uma autoavaliação:

  1. Qual é a posição da sua organização em relação à transição da abordagem tradicional de gestão de rede para a abordagem emergente que atende às demandas atuais de negócio?
  2. Sua organização tem um plano definido para a evolução de suas aplicações, computação, armazenamento, redes e segurança integrada?
  3. Sua organização tem um plano definido de como o gerenciamento de rede irá evoluir para responder às mudanças de tecnologia e negócios em curso?
  4. Sua organização tem um plano definido para a evolução das competências dos seus engenheiros de rede?
  5. Sua organização avalia regularmente as ferramentas utilizadas para gerenciamento de rede e faz orçamento para atualizações ou soluções mais contemporâneas?
  6. Quão importante é a capacidade de solucionar problemas quando sua organização toma decisões de adotar novos serviços como serviços de nuvem pública ou implementar SDN?
  7. Quantas vezes sua organização identifica e elimina os problemas antes que afetem o usuário?
  8. Até que ponto sua organização tem uma abordagem CYA para gerenciamento de rede, no qual cada domínio de tecnologia tenta provar que eles não são a fonte do problema?

Se você respondeu não a qualquer uma das quatro primeiras perguntas ou ficou em dúvida quanto às respostas das perguntas de 5 a 7, sua organização deve começar a reavaliar. Como as organizações exigem mais alinhamento centrado em negócios e agilidade, cabe aos líderes de TI tomar uma posição proativa e responder a estas perguntas.

*Marcos Corrêa, Gerente Nacional de Vendas da Fluke Networks, líder mundial no fornecimento de soluções de teste de rede e monitoramento.

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