Virtualização é oportunidade para resolver falhas estruturais da América Latina

Por Igor Lopes | 06.11.2015 às 22:43

* Em Cancún, México

Em um encontro que marcou o começo do fim do Cisco Live 2015, um evento com desenvolvedores e imprensa que reuniu 5 mil participantes em Cancún, no México, o diretor da companhia para a América Latina disse ver com bons olhos o crescimento da região nos campos da virtualização e da Internet das Coisas. Para Jordi Botifoll, os países do nosso continente têm todos os requisitos necessários para crescerem como uma potência em termos de tecnologia, mesmo com todos os problemas econômicos presentes.

Além de dificuldades internas, como a atual crise econômica brasileira, por exemplo, a América Latina enfrenta diversos fatores internos que também acabam puxando as coisas para baixo. É o caso, por exemplo, da desaceleração do mercado chinês, que também impacta nos preços por aqui, ou a queda nos valores das commodities, que acabam enfraquecendo as nações da região.

É justamente por conta disso que a Cisco enxerga a América Latina como um mercado providencial e, não à toa, elegeu o México como o país-sede de seu evento. No encontro com participantes do fórum, Botifoll disse acreditar que a mudança começa pela virtualização e adoção de tecnologias por setores essenciais, como a administração pública e indústrias como saúde, energia, mineração, petróleo e, acima de tudo, educação. Os investimentos em setores digitais, para o executivo, são a chave para que as nações deem “vários passos” estratégicos em relação ao que acontece no resto do globo.

Como argumentos para sustentar sua visão, Botifoll cita a população majoritariamente jovem entre os 600 milhões de habitantes da região, o que acaba criando um ambiente propício para a invenção, o empreendedorismo e a adoção de novas tecnologias. Além disso, fala sobre o apoio da própria Cisco a setores como os de saúde, por exemplo, em projetos que já reduziram a carga nos hospitais e devem permitir que 80% das visitas a médicos não sejam mais necessárias de forma presencial e possam ser realizadas remotamente.

cisco

Videoconferência da Cisco permite atendimento médico a distância (Foto: divulgação/Cisco)

São projetos como estes que se transformaram no grande destaque da estratégia da Cisco para a América Latina em médio e longo prazo. A empresa diz querer se tornar a líder no setor de virtualização, Internet das Coisas e cloud computing por aqui e, para isso, está trabalhando pesado junto a verticais, administrações públicas e indústrias não apenas para adotar soluções de tecnologia, mas também informar por que motivo elas são importantes.

O outro lado da moeda

Por outro lado, Botifoll sabe que apenas o apoio da companhia não é o bastante para promover essa revolução desejada. Os governos locais também precisam entender de que maneira a tecnologia é importante e, a partir disso, promover políticas que efetivamente auxiliem no desenvolvimento da região, algo que é extremamente importante principalmente em momentos de crise, como a enfrentada pelo Brasil no momento.

O executivo frisa, por exemplo, a necessidade de baixas nos impostos como uma maneira de incentivar a adoção de tecnologia. Para ele, o aumento de tributos aumenta o “fosso digital” na região e dificulta a instalação de infraestrutura adequada. A solução, para ele? Um corte total sobre as taxas no setor, para que se promova uma cultura de comunicação e inovação.

Além disso, Botifoll cita o exemplo dos Estados Unidos ao falar sobre uma integração maior entre universidades e companhias. Voltando à capacidade de inovação da juventude latino-americana, o executivo acredita que uma maior sinergia entre os setores educacionais, governamentais e empresariais é essencial para o fomento da inovação e capaz de criar vantagens estratégicas que podem ser essenciais em um futuro não tão distante assim.

Por fim, o diretor cita um fator macroeconômico e um tanto mais complicado de se lidar – o baixo crescimento geral da América Latina. Aqui, para ele, a solução é aumentar a produtividade justamente pela adoção de tecnologias e sistemas de virtualização e cloud computing, incentivando a competitividade e o desenvolvimento das estruturas internas.

É aqui, porém, que está o maior desafio para o setor tecnológico, e também o maior obstáculo para que a Internet das Coisas e a computação na nuvem se desenvolvam por aqui. A conclusão que fica, no fim das contas, é otimista, mas também cheia de preocupações, que esperamos, não se configurem em realidade.