Vamos ser espertos em relação às tecnologias inteligentes

Por Hamilton Berteli | 15 de Junho de 2016 às 07h05

Nos últimos anos, a evolução da inteligência artificial tem suscitado diversos questionamentos sobre a ética digital e o uso desenfreado dessas inovações. Visionários como o físico Stephen Hawking, o empresário Elon Musk e o fundador da Microsoft Bill Gates já expressaram preocupações sobre tema, principalmente sobre se essa tecnologia será capaz de superar a inteligência humana e como fazer com que as decisões das máquinas levem em consideração a vida humana.

Tal preocupação se torna válida ao vermos que, em pesquisa recente da Avanade sobre ética digital, 78% dos executivos entrevistados acreditam que não deram atenção suficiente para dilemas éticos no local de trabalho, e apenas 43% estabeleceram diretrizes no trabalho impactado por tecnologias inteligentes. Isso demonstra que, apesar de termos comportamentos digitas cada vez mais aprofundados em nossas vidas, seja com sensores, aplicações, ferramentas de trabalho e plataformas sociais, não estamos atentando às questões éticas envolvidas nisso.

Imagine, por exemplo, projetos como o carro de auto condução do Google ou o bate-papo AI bot da Microsoft. Eles trazem uma nova atualização ao mercado com tecnologias inteligentes, mas sem passar por uma discussão e diretrizes sobre ética digital, não há garantias que haverá o gerenciamento e a mitigação dos riscos do uso dessas inovações.

Assim, com base na pesquisa da Avanade, é sugerida a criação de uma abordagem que pode ajudar a construir a ética e a integridade no quadro de uma empresa. São cinco passos, que devem abranger todas as áreas da empresa.

  1. Criar ciclos de revisão da ética na sua estrutura organizacional, repassar a preocupação internamente garantindo a necessidade dos funcionários de criar uma empresa ética em todos os âmbitos;
  2. Garantir que a legislação e o panorama legal daquele setor seja cumprido;
  3. Manter um diálogo com os stakeholders em torno de questões éticas para entender o que é aceitável e o que não é no uso da tecnologia, uma vez que essa melhor prática ainda não é exigida por lei;
  4. Definir as diretrizes para as decisões éticas internamente, evitando terceirizar essa responsabilidade para fornecedores e desenvolvedores de soluções;
  5. Não permitir que as máquinas tomem as decisões sozinhas. Afinal, é preciso que elas passem por validações de seres humanos para levar em consideração toda a complexidade do ambiente empresarial.

Com diálogo cuidadoso e compromisso com a ética, seremos capazes de seguir em frente com as tecnologias inteligentes, tendo sempre em consideração os direitos humanos. E isso significa moldar o futuro para as próximas gerações, com nossa capacidade de trabalhar e viver com a tecnologia, utilizando-a a nosso favor.

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