Usar o celular antes de dormir pode atrapalhar mais o sono do que tomar café

Por Redação | 25.09.2015 às 09:33
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Você vai deitar para dormir, mas não consegue largar do smartphone? Pois saiba que essa prática é mais prejudicial para a qualidade do seu sono do que tomar café antes de ir dormir.

Em pesquisa divulgada na publicação científica Science Translational Medicine, cientistas afirmam que a quantidade de cafeína presente em um expresso duplo causa menos problemas na hora de dormir do que o celular. Isso acontece devido à forte emissão de luz azul brilhante presente nestes gadgets.

Responsável por permitir que consigamos enxergar tudo o que se passa na tela do dispositivo debaixo do brilho do sol, a luz azul tem efeito direto sobre o sono — o motivo pelo qual isso acontece, porém, ainda é um mistério para os pesquisadores. Conforme a pesquisa apurou, este tipo de luz tem efeito duas vezes mais prejudicial ao sono do que a cafeína.

Estudos do ritmo circadiano

Os cientistas chegaram a esta conclusão quase que ao acaso, isso porque estavam pesquisando os efeitos da cafeína sobre o chamado ritmo circadiano (período de aproximadamente 24 horas que determina o ciclo biológico de seres vivos), popularmente conhecido como “relógio biológico”.

Como nosso corpo se prepara tanto para dormir, liberando um hormônio chamado melatonina por meio da glândula pineal, quanto para acordar, reduzindo aos poucos a quantidade dessa substância, a ideia dos cientistas era quantificar o quanto esse processo era afetado pela presença da cafeína.

Então, cinco voluntários foram avaliados durante 49 dias. Eles eram mantidos em condições bastante controladas pelos pesquisadores a fim de não prejudicar o resultado da experiência. Assim, todos os dias três horas antes de dormir eles eram expostos a uma das quatro seguintes combinações: cafeína e exposição à luz brilhante, cafeína e exposição à luz fraca, placebo e exposição à luz brilhante, placebo e exposição à luz fraca.

Junto da luz fraca, a cafeína atrasou o “sono natural” em média em 40 minutos a mais do que o placebo com a mesma intensidade de brilho. Já a luz brilhante sozinha (ou seja, junto do placebo) foi capaz de atrasar o sono natural em 85 minutos (1h 25 min). A combinação cafeína + luz brilhante resultou em um atraso de 105 minutos (1h 45 min) em relação ao conjunto mais fraco.

Resultados específicos?

Os cientistas assumem que o grupo analisado é pequeno, apenas de cinco pessoas. Mesmo assim, alertam que a quantidade de cafeína escolhida levava em conta a massa corporal de cada indivíduo, o que ajuda a tornar o teste mais rigoroso. Assim, alguns voluntários acabaram sendo mais afetados pela cafeína do que pela luz (na média, porém, os efeitos luminosos venceram a disputa contra o sono).

Vale lembrar ainda que o estudo visa determinar apenas os efeitos da cafeína sobre a atuação da melatonina em si, sem levar em conta outras consequências do consumo desta substância, como aumento de ansiedade ou dos batimentos cardíacos. A soma de tudo isso acaba tornando a cafeína uma substância, no geral, mais prejudicial ao sono.

Por outro lado, não é a primeira vez que os efeitos das telas de smartphones, tablets e computadores são associados a problemas do sono. Um estudo de 2013 já falava disso e, em 1986, bem antes da popularização desses dispositivos, outros cientistas se debruçaram sobre os efeitos da luz brilhante.

De qualquer maneira, ao que tudo indica, deixar o café e o celular de lado na hora de ir dormir pode colaborar para um sono natural, saudável e revigorante.

Fontes: Science Translational Medicine