União Europeia pede que Google mude maneira de exibir pesquisas

Por Redação | 23 de Junho de 2015 às 12h50

O Google voltou a estar na mira da União Europeia, desta vez, devido a uma suposta violação de leis antitruste pela maneira com a qual os resultados de pesquisa são exibidos. Agora, as autoridades do Velho Continente pedem que a empresa dê tratamento igual a todos os concorrentes, ao contrário do que acontece hoje.

As ressalvas surgiram quando a União Europeia percebeu que serviços patrocinados ou gerenciados pelo próprio Google ganhavam destaque nas pesquisas em determinados temas. Em muitos casos, a primeira entrada legítima sobre a busca realizada aparecia na terceira ou até quarta posição, após caixas de cor diferente, links maiores e até campos para acesso direto às funcionalidades oferecidas pela própria companhia.

Os documentos relacionados ao caso teriam sido enviados ao Google em abril, mas suas informações não foram compartilhadas com o público. Agora, o conteúdo dos papeis vazou e na lista de evidências, que contém mais de 100 páginas, constam citações a pesquisas por seguros automotivos e buscas por melhores preços por meio do Google Shopping, entre outras ocorrências do tipo.

Google pesquisa

No Brasil, por exemplo, a situação é parecida. Uma pesquisa básica, como “smartphone”, por exemplo, exibe pelo menos meia dúzia de anúncios ou serviços do próprio Google antes de mostrar um resultado de busca. Por aqui, porém, a situação pode ser um pouco menos grave, já que muitos dos serviços internacionais do Google, como o de reserva de passagens aéreas, hotéis, venda de seguros e outros, ainda não funcionam.

A ideia de que o Google está errado em promover os próprios serviços em uma plataforma que também é sua pode até fazer sentido, mas existem leis na Europa que previnem justamente esse tipo de monopólio. O serviço, hoje, é usado por mais de 90% dos habitantes dos países do continente. Foi isso que levou as autoridades a questionarem suas condutas, uma vez que essa dominação também acaba interferindo nos serviços de concorrentes.

A empresa, como sempre, nega que esteja fazendo algo de errado, afirmando exatamente o oposto. Para ela, a forte presença do Google no mercado europeu dá ainda mais opções aos usuários, uma vez que todo e qualquer serviço ou marca está ao alcance de um clique. Por outro lado, defende o posicionamento de anúncios como um elemento básico de sua plataforma de monetização e afirma fazer distinções claras entre conteúdo patrocinado e resultados de buscas.

Por outro lado, o diretor do Google para a Europa, Matt Brittin, admitiu que a empresa errou bastante no continente e demorou para perceber que, por lá, o público e as autoridades não trabalham exatamente da mesma maneira que nos Estados Unidos. Apesar de tudo, porém, disse que a empresa está trabalhando ativamente para resolver todos os problemas e estar completamente adequado às normas e leis de todos os países.

Não é a primeira vez que a União Europeia emite decisões que tentam regular melhor a operação do Google. No começo do ano, por exemplo, a empresa foi obrigada a criar mecanismos dedicados a solicitações de retirada de conteúdo do ar, dentro de uma lei que prevê o direito dos cidadãos “de serem esquecidos”. Ela aplica-se, por exemplo, a conteúdos que possam ser considerados vexatórios, invasivos, estejam desatualizados ou sejam simplesmente falsos.

Além disso, encontra-se em andamento uma investigação sobre a possibilidade de o Google e outras companhias de tecnologia terem usado táticas de evasão fiscal em sua atuação na Europa. Sobre isso, porém, a empresa não se pronunciou e permanece afirmando que cumpre todas as regras das nações em que se instalou.

Fonte: Business Insider

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