União Europeia multa Google em R$ 9 bilhões por “abuso” em comparador de preços

Por Redação | 27 de Junho de 2017 às 09h08

A Google foi multada pela União Europeia em € 2,42 bilhões (cerca de R$ 8,9 bilhões) por abusar de seu poder e promover o próprio serviço de comparação de preços. Para a agência regulatória do bloco, ao exibir os valores a partir do próprio sistema acima de resultados comuns de busca, a empresa estaria incorrendo em práticas anticompetitivas graves.

Essa é a maior multa já aplicada por um órgão de regulação do Velho Continente. Além disso, a Google recebeu um prazo de três meses para modificar a forma como exibe as propagandas de seu comparador de preços, caso contrário terá de voltar a pagar penalizações exorbitantes, no valor de 5% de seu faturamento diário até resolver a questão – algo que giraria em torno de US$ 14 milhões por dia.

Para a comissão que avaliou o caso, as práticas da Google na organização do conteúdo exibido ao usuário são ilegais de acordo com as regras antitruste do mercado europeu, além de desbalancear o mercado. Ao exibir resultados do comparador de preços acima de pesquisas sobre produtos, a empresa estaria abusando de seu poder de controle sobre o conteúdo e, na visão, da EU, “negando aos consumidores o direito à competição, escolha e inovação”.

A empresa também é acusada de incorrer em práticas como a apresentação de propagandas para crianças ou ao lado de conteúdos não relacionados, uma vez que tais elementos apareciam também junto com buscas comuns. Mais uma vez, para o órgão, existe abuso na forma como a Google lidou com os resultados.

Para a União Europeia, o caso é grave o bastante para que se torne modelo e precedente não apenas para outros processos do tipo, mas também para novas normas relacionadas a práticas anticompetitivas. Os órgãos regulatórios também estão de olho na Google, mais especificamente na maneira como ela privilegia o próprio serviço de mapas em celulares Android ou a exibição de negócios cadastrados em suas plataformas com mais destaque.

No caso do comparador de preços, existia um privilégio ao conteúdo patrocinado, com lojas que pagaram para que seus produtos fossem exibidos tendo prioridade sobre as outras. Dependendo da pesquisa, os anúncios poderiam ocupar toda a tela, principalmente em celulares e tablets, exigindo que o usuário rolasse manualmente para encontrar os resultados orgânicos que procura.

A investigação da União Europeia sobre a questão já se alonga há mais de seis anos e começou após pedidos de empresas como Amazon, Microsoft e outras. Elas alegaram à regulação que seus resultados estariam sendo afogados em meio a anúncios e links da própria plataforma da Google, no que consideravam uma prática anticompetitiva.

Em sua defesa, Mountain View afirma que a exibição de anúncios do comparador de preços é uma forma de atender às vontades dos consumidores, que querem encontrar os produtos de forma rápida e fácil. Além disso, a companhia lembrou de seu compromisso com os milhares de anunciantes, desde pequenos até grandes negócios, que utilizam seus serviços todos os dias.

A Google disse ainda que, na Europa, Amazon e eBay contam com muito mais influência sobre os gastos da população do que sua própria plataforma. A empresa demonstrou desejo de recorrer da multa, mas não confirmou que vai fazer isso, por enquanto, afirmando apenas que “respeitosamente discorda” das decisões do órgão.

Fonte: BBC

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