Um ano depois, vazamento de e-mails ainda é um assunto delicado na Sony

Por Redação | 08.10.2015 às 09:52

Lembra-se de toda a polêmica envolvendo o ataque hacker sofrido pela Sony por causa do filme A Entrevista e o consequente vazamento de e-mails e informações confidenciais? Bem, um ano depois o assunto continua sendo um tema delicado dentro da empresa.

Perto do aniversário do incidente, o CEO da Sony Entertainment comentou um pouco sobre a questão em uma entrevista à revista americana Vanity Fair. Mais do que isso, Michael Lynton disse que ainda não viu quais mensagens e conversas foram liberadas na internet e ainda criticou os veículos que se aproveitaram dessa exposição para gerar audiência.

Para o executivo, a parte mais problemática da questão não foi apenas o vazamento, mas a voracidade com que muitos sites e jornais partiram para cima dessas informações, o que ajudou a espalhar ainda mais o ataque inicial. Tanto que ele conta que uma de suas medidas para evitar se estressar mais com a questão foi não ir atrás dos seus e-mails que acabaram se tornando públicos — mesmo com o WikiLeaks fazendo questão de estampar isso em seu site.

Por outro lado, Lynton sabe que ele foi uma exceção em toda essa história e que muitos dos demais funcionários da Sony em situação semelhante acompanharam toda a polêmica envolvendo e tiveram que dar explicações sobre o conteúdo das mensagens. É o caso de uma das principais executivas da empresa, Amy Pascal, que fez vários comentários depreciativos a uma série de atores e profissionais de Hollywood.

O CEO da Sony comenta ainda que, mesmo um ano depois, algumas pessoas ainda surgem querendo discutir o conteúdo de seus e-mails que foram publicados após a invasão, afirmando que leram suas conversas e viram tudo o que ele tinha dito a outras pessoas. Porém, o executivo disse não se incomodar e acha tudo isso um modo muito estranho das pessoas aproveitarem os seus dias.

No entanto, isso não quer dizer que ele não tem suas críticas ao modo como tudo aconteceu. Cutucando mais uma vez a imprensa, ele explicou que a Sony foi seriamente abalada a partir de todas essas publicações. Mais do que isso, ele diz não concordar com a postura de milhares de veículos de todo o mundo, que publicaram o conteúdo desses e-mails em seus sites e jornais sem se preocupar em pensar se aquilo era ou não uma enorme invasão de privacidade ou mesmo algo que valesse a pena ser noticiado.

Questionado sobre a própria saída de Amy Pascal diante de todo o escândalo, Lynton disse que ela não saiu da Sony por conta dos e-mails em que criticava atores como George Clooney e Angelina Jolie. Segundo ele, embora compreenda a fúria do público diante do conteúdo dessas conversas e o modo como Pascal se referia a vários artistas, a razão para sua demissão foi outra — mas não especificou qual.

Para o executivo, aquela troca de e-mail entre ela e o produtor Scott Rudin não serviria como um argumento para embasar uma demissão por justa causa porque era uma conversa pessoal entre os dois. Apesar da conversa ter sido constrangedora e ter deixado muita gente revoltada, era algo que dizia respeito apenas a eles e não deveria nunca ter sido divulgada. E, mesmo depois de ter se tornado público, esse conteúdo serviu apenas para fazê-los se desculpar diante de todo mundo, mas não para mandá-la embora da Sony.

Via: Vanity Fair, CNET