Uber vai criar associação de motoristas nos Estados Unidos

Por Redação | 11 de Maio de 2016 às 12h00

Nova Iorque será a primeira cidade a contar com uma associação de motoristas do Uber, oficializada e reconhecida pela própria companhia. Não se trata de um sindicato, como muitos trabalhadores da categoria gostariam, mas a Independent Drivers Guild vai se reunir para garantir benefícios aos associados, bem como levar reivindicações e discutir com a companhia sobre formas de melhorar o serviço.

De início, são 35 mil motoristas representados pela união, que é vinculada à Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores da Indústria Aeroespacial. A experiência desse grupo deve ser fundamental, principalmente, devido ao caráter dos mercados representados, que também costumam tratar seus trabalhadores como contratados independentes, de maneira a reduzir custos trabalhistas e os isentar de benefícios relacionados a horas extras e salário mínimo.

É justamente por causa desses dois pontos que muitos motoristas começaram a se unir em associações não-oficiais ao redor dos Estados Unidos, sendo que a de Nova Iorque é a primeira, e única, até agora, a ser reconhecida pelo Uber. A maior reivindicação está relacionada aos preços das corridas, que os trabalhadores consideram baixos demais, e também a porcentagem que é cobrada pelo serviço, que está no extremo oposto. Essa questão já provocou greves em algumas cidades dos EUA.

Toda essa situação levou o Uber a fechar acordos pontuais com grupos de motoristas ou em uma determinada região, como uma ação de classe movida em nome de todos os trabalhadores da plataforma, que envolvia a pressão pelo aceite de corridas mesmo que desfavoráveis. Mais de US$ 100 milhões em indenizações devem ser pagos, e a ideia é que a criação da associação nova-iorquina seria um reflexo de situações como essas.

O grupo se reunirá todos os meses com representantes do Uber para que reivindicações, apelos e sugestões sejam levados à diretoria. A associação tem validade de cinco anos, podendo, claro, ser estendida por tempo indeterminado. A empresa e a própria guilda também pretendem criar parceiras para que associados tenham descontos em planos de saúde, seguros pessoais e de automóvel, guinchos, assistência mecânica e outros tipos de serviços essenciais para quem trabalha com o carro.

Entretanto, de acordo com os termos de criação da associação, ela não pode discutir diretamente sobre tarifas e contratos com o Uber, apesar de solicitações, sugestões e reclamações estarem permitidas durante as reuniões. A companhia também solicitou que os trabalhadores não realizem greves pelos próximos cinco anos, algo que foi aceito pelos maquinistas que lideram os trabalhos.

Além disso, o Uber pretende utilizar a força dos milhares de associados para trabalhar junto ao governo, derrubando, por exemplo, uma lei que impõe 9% de impostos sobre o valor de corridas com carros de passeio, além de trazer a mesma isenção recebida pelos taxistas ao serviço. Assim, a empresa acredita ser capaz de manter suas margens de lucro sem mexer nos ganhos dos motoristas, ou, quem sabe, até ampliá-los em impacto no próprio faturamento.

Por enquanto, não há previsão de criação de associações semelhantes em outras cidades ou países. Entretanto, em muitas praças, motoristas já se reúnem de forma informal para mostrar força e garantir que seus direitos sejam preservados, mesmo enquanto considerados como contratados independentes.

Fonte: The New York Times

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