Uber teria usado software secreto para rastrear motoristas de serviço rival

Por Redação | 13 de Abril de 2017 às 13h47

Não bastasse a polêmica gerada pelo tipo de serviço oferecido, o que já resultou em protestos e proibições em várias partes do mundo, as práticas empresariais da Uber também não ficam para trás no quesito controvérsia. A bola da vez vem de uma reportagem do The Information, que trata do suposto uso por parte do Uber de um software secreto para rastrear motoristas de um serviço rival.

Segundo a publicação, a Uber teria lançado mão de uma ferramenta conhecida como Hell, capaz de não apenas determinar a quantidade e a localização dos motoristas da Lyft, como também informaria quais trabalhadores estariam atuando em ambas as plataformas.

Em posse dessas informações, a Uber teria uma vantagem estratégica sobre a sua principal concorrente hoje. Afinal, saber onde estavam os motoristas da Lyft (e também quantos eram e onde eles não estavam), permitia a empresa organizar a sua frota a fim de ocupar as brechas deixadas pela rival.

Conforme as revelações trazidas à tona nesta quinta-feira (13), a Uber usaria o Hell para criar perfis falsos de motoristas junto à Lyft. Com isso, seria possível descobrir onde estava todo o fluxo da frota da concorrente. A empresa ainda conseguiu acesso às informações pessoais dos motoristas, e foi assim que ela cruzou os dados para saber quem trabalhava em ambos os serviços de carona.

Com isso, a empresa passou a oferecer bônus para seus motoristas que também estavam cadastrados no Lyft a fim de convencê-los a trabalhar de maneira exclusiva para a Uber. Ao que tudo indica, o uso do Hell foi interrompido no início de 2016 — ele era usado desde 2014.

Práticas empresariais da Uber são questionada por rivais e autoridades. (Foto: Divulgação/Uber)

Segundo advogados que foram consultados pelo The Information, tais revelações poderiam gerar graves complicações legais para a Uber, como processos por quebra de contrato e práticas desleais.

Hell

Um ponto curioso de todas estas alegações é que o Hell teria sido desenvolvido por uma companhia rival da Uber, a COIN, do ramo de inteligência. O nome do programa (“inferno”, em inglês) seria, inclusive, uma piada com o modo “Heaven” ou “God View” (respectivamente “paraíso” ou “visão de Deus”), usado pelo Uber para monitorar os seus próprios motoristas.

Colecionando problemas

Esta nova revelação é apenas mais uma da lista de várias que a Uber vem colecionando nos últimos tempos. Além das graves denúncias de sexismo e assédio sexual dentro da empresa, um problema que chegou a ser chamado de “sistêmico” por funcionárias da companhia, a startup vem tendo inúmeras complicações legais graças às suas práticas escusas.

Este ano, a Alphabet, controladora do Google, acusou a rival de roubar tecnologia de carros autônomos da Waymo, empresa do grupo responsável pelo desenvolvimento deste tipo de veículo.

Após negar as acusações feitas pela Alphabet, a Uber admitiu ter encontrado os documentos roubados da Waymo no PC de um funcionário. Entretanto, a companhia alega também que, além de não ter relação com o roubo, não utilizou nenhum destes documentos para aprimorar a sua própria tecnologia.

Fonte: The Information