Uber será investigada na Justiça por "esconder" motoristas de autoridades

Por Redação | 05.05.2017 às 11:27

Dizer que a Uber se envolveu em treta já deixou de ser novidade. A diferença é que, desta vez, a empresa acabou se complicando um pouco mais do que de costume e agora vai ter de responder na Justiça norte-americana por adotar uma prática considerada ilegal para driblar a proibição de alguns estados ao seu serviço.

Segundo o Departamento de Justiça do país, a companhia passará a ser investigada pelo uso de um recurso chamado Greyball, que basicamente escondia os carros que trabalham para a empresa. Essa ferramenta funciona quase como uma versão falsa do aplicativo em que não é possível ver nenhum carro nas proximidades quando, na verdade, os motoristas continuam trabalhando normalmente na região. A intenção seria evitar fiscalizações, sobretudo em locais onde a Uber não teria autorização para operar, como nas cidades de Portland e Oregon.

As primeiras denúncias de que o app usava o Greyball surgiram no último mês de março, o que forçou as autoridades a apurarem o caso. Segundo o departamento responsável pela investigação, todo o processo ainda está em fase inicial e não é possível dizer quais exatamente serão as acusações feitas contra a empresa. No entanto, em uma carta enviada ao órgão de regulação do transporte de Portland na semana passada, a Uber confessou ter usado o recurso excessivamente antes de receber a autorização de operar na cidade, em abril de 2015.

De acordo com a companhia, o objetivo de usar essa “capa de invisibilidade” não era para escapar de uma eventual fiscalização e multa, mas para proteger seus motoristas e evitar fraudes que pudessem prejudicá-los financeiramente. Assim, para contornar essas ameaças, ela optou por fazer uso do Greyball.

Essa não é a primeira vez que acusações semelhantes são feitas contra a empresa. Há algumas semanas, veio a público a informação de que o CEO da Apple, Tim Cook, teria feito uma reunião com executivos da Uber para ameaçar uma possível retirada do aplicativo da App Store após a descoberta de que a empresa estaria monitorando usuários mesmo após desinstalarem o serviço de seus smartphones. E, embora a prática aparentemente já tenha sido resolvida, a imagem da Uber — que já não andava das melhores — ficou ainda pior. Agora, as investigações nos EUA vêm apenas para completar esse cenário.

Via: Reuters