Uber segue sem CEO, e o culpado por isso pode ser o próprio Travis Kalanick

Por Redação | 31 de Julho de 2017 às 11h30

O tempo está passando e a Uber continua sem um CEO, um cargo essencial para a atual mudança de postura e gestão pela qual a companhia está passando. E muito da demora, afirmam os rumores, teria a ver com a participação ativa de seu antigo diretor, Travis Kalanick, na escolha de um novo executivo para o cargo.

De acordo com informações de fontes ligadas ao processo de seleção, o fundador da empresa de transportes teria voz ativa junto ao conselho de administração da Uber na seleção de seu novo CEO. Mais do que isso, ele estaria em busca de um sucessor que tivesse um estilo de gerenciamento semelhante ao seu, dificultando a consideração de opções que poderiam trazer novos ventos e mudanças para a companhia.

A participação de um antigo CEO, principalmente quando ele também traz consigo o título de fundador da empresa, não é nada estranho. O que soa esquisito aqui é a participação ativa de Kalanick na escolha de um sucessor para um cargo do qual ele renunciou após sofrer pressões de acionistas e diretores da companhia, uma indicação de que sua gestão poderia a estar minando.

Enquanto isso, já começam a surgir boatos de que a participação de Kalanick no gerenciamento da Uber teria a ver com mais do que apenas garantir que um novo CEO seja adequado e estaria relacionada com sua própria permanência na companhia. O executivo nunca falou sobre o assunto, mas desde que se afastou do cargo de diretor circulam rumores de que ele permaneceria ligado diretamente a ela. Ao dificultar o processo de escolha de presidentes com estilo diferente, privilegiando o próprio, o fundador estaria garantindo exatamente isso.

Uma prova disso seria a exclusão do nome de Meg Whitman, atual CEO da HPE, de uma lista de possíveis nomes cotados para a posição. Oficialmente, ela disse que ainda tem muito a realizar na empresa de tecnologia que preside e que não pretende ir a lugar algum. Nos bastidores, entretanto, os motivos seriam outros.

Whitman teria sido descartada por não ter o suporte de Arianna Huffington, uma das participantes do quadro de diretores da Uber com maior poder de decisão. É ela quem assumiu interinamente os trabalhos de CEO ao lado de Bill Gurley, e também representa um dos nomes de maior confiança, para Kalanick, dentro da administração. Por meio dela, o fundador estaria exercendo sua pressão não apenas para escolher um novo diretor, mas também garantir sua própria permanência na diretoria.

Os problemas causados por Kalanick em um processo de decisão desse tipo não são recentes. Desde o começo do ano, a Uber está em busca, também, de um COO, um processo que vinha sendo capitaneado pelo executivo até sua saída, no final do primeiro semestre. A escolha estaria passando pelos mesmos problemas, com o fundador excluindo deliberadamente nomes que não o agradavam e buscando um diretor que tivesse estilo parecido com o dele. Esse trabalho encontra-se, atualmente, suspenso.

Enquanto isso, o tempo continua correndo. Oficialmente, a Uber já disse que pretende anunciar um novo CEO até o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, que é comemorado em 4 de setembro. Ou seja, a companhia tem menos de um mês para encontrar um substituto para Kalanick, com menos de quatro meses tendo se passado desde a saída dele - um prazo curto para localização de um diretor para uma empresa de tal porte.

Os problemas seriam tamanhos que muitas das fontes ouvidas pela imprensa americana chegaram a cogitar até mesmo o retorno de Kalanick ao cargo, uma possibilidade que parece desastrosa tanto para acionistas quanto analistas de mercado. Seria uma forma de manter a empresa caminhando, sim, mas talvez não para o rumo que o quadro de diretores deseja, uma vez que o fundador está envolvido em muitos dos escândalos e problemas que a trouxeram até a delicada situação atual.

Enquanto nenhuma confirmação oficial é feita, a busca por um CEO continua e as informações permanecem vazando. Antes da confirmação de que Whitman não estaria no páreo, a Uber teria seis possíveis nomes na mesa, incluindo Sheryl Sandberg, do Facebook; Tom Skagg, da Disney; e Mark Fields, da Ford. Entretanto, nada disso foi confirmado e a companhia permanece tentando manter o segredo - e, aparentemente, o equilíbrio - enquanto uma decisão não é tomada.

Fonte: The Wall Street Journal, The New York Times

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