Uber pode se tornar empresa privada mais valiosa do mundo após novos aportes

Por Redação | 11 de Maio de 2015 às 10h43

Parece que na mesma medida em que o Uber acumula polêmicas, também aumenta sua pilha de dinheiro. A empresa por traz do polêmico serviço que conecta motoristas parceiros a passageiros começa nesta semana mais uma rodada de busca por investimentos para sustentar sua expansão e, agora, quer mais US$ 1,5 bilhão. Caso tenha sucesso, o que especialistas não têm dúvida de que vai acontecer, a companhia deve chegar a um valor total de US$ 50 bilhões e se tornar a empresa privada mais valiosa de todo o mundo.

Em segundo lugar, por exemplo, estaria a Xiaomi, fabricante chinesa de smartphones com presença cada vez maior nos mercados mobile e de telecomunicações não apenas na Ásia, mas também no mundo. Além disso, o valor de US$ 50 bilhões também foi o mesmo alcançado pelo Facebook antes de sua abertura de capital, que ajudou a rede social a se tornar o que ela é hoje. Nesse quesito, porém, os executivos da Uber ainda não tocam e a venda de ações pode até ser uma possibilidade presente, mas ainda é encarada como uma coisa distante.

O objetivo do novo aporte de dinheiro, claro, é continuar melhorando os serviços e o levando a novos territórios. Apesar de já estar presente em 57 países, são menos de 300 cidades atendidas pela plataforma. No Brasil, por exemplo, o Uber está disponível em apenas quatro – Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

É justamente esse tipo de expansão que a nova rodada de investimentos deve sustentar, mas não para por aí. Muita gente pode não conhecer, mas boa parte do faturamento do Uber também passa por uma série de outros serviços secundários, mas também dignos de atenção, como uma plataforma de frete para vendedores, outra de entrega de comida e uma terceira baseada em itens de dia-a-dia, como os de higiene pessoal e limpeza.

A ideia de todos eles é usar a mesma infraestrutura de transporte de passageiros para realizar outro serviço. Motoristas, por exemplo, poderiam levar pessoas até um prédio de escritórios e realizar uma entrega no mesmo local, recebendo por ambos os serviços mas sem gastos adicionais, uma alternativa que se refletiria no preço do frete e também nos ganhos para os trabalhadores envolvidos. Como o próprio sistema de carros privados, a alternativa já vem causando mal-estar junto a trabalhadores do setor.

A expectativa dos especialistas de mercado é que a nova rodada de investimentos facilite a obtenção de um sistema proprietário de mapas e localização, de forma que o Uber não mais dependa de terceiros para fazer isso. O principal cotado para se tornar parte da plataforma é o Nokia HERE, que estaria à venda por um valor estimado em US$ 3 bilhões e faria parte de um plano da fabricante finlandesa para se distanciar ainda mais do segmento dos smartphones e se focar totalmente em seu braço de telecomunicações.

Como na última rodada, que levantou US$ 5 bilhões, os US$ 1,5 bilhão devem ser obtidos por meio de uma mistura entre dívidas, a serem pagas em prazos determinados, e venda de cotas da empresa para investidores. No segundo caso, que parece ser mais interessante, mas também envolve somas maiores de dinheiro, os envolvidos acabam se tornando donos de parcelas minoritárias da Uber, de olho, mais uma vez, em uma abertura de capital e na ampliação do valor estimado da empresa para terem retorno sobre suas aplicações.

Oficialmente, porém, nada foi confirmado. Negociações desse tipo e, principalmente, os nomes dos envolvidos, não costumam ser divulgados oficialmente, menos ainda quando ainda estão em andamento. A Uber não falou nada sobre o assunto.

Problemas no Brasil

Nas últimas semanas, o Uber tomou mais uma vez as páginas do noticiário brasileiro quando uma ordem judicial determinou sua suspensão em todo o território nacional. Em uma liminar concedida pela Justiça de São Paulo em favor do sindicato de taxistas do estado, a empresa não apenas deveria cessar suas atividades como também remover o aplicativo das lojas online e, irrealmente, também dos celulares dos usuários atuais. Caso contrário, seria cobrada uma multa diária que poderia chegar a R$ 100 mil.

A decisão veio após uma série de protestos coordenados em todo o país e até mesmo em cidades nas quais o Uber ainda não opera, como Curitiba, por exemplo. O sindicato alega que a empresa não se sujeita às mesmas normas de motoristas de praça convencionais, atuando sem pagar impostos ou necessidade de treinamento para seus funcionários, por exemplo. Enquanto isso, a companhia se defende afirmando não ser do ramo de transportes, mas sim do de tecnologia, fornecendo apenas um sistema por meio do qual donos de veículos e clientes podem se conectar diretamente.

A liminar foi derrubada seis dias depois, com a juíza responsável entendendo se tratar de uma ação coletiva. Como ela defende o interesse da categoria de taxistas como um todo, seus trâmites deveriam passar pelo Ministério Público, que deveria instaurar inquérito para apurar se existe mesmo uma regularidade. O sindicato criticou a decisão e disse que vai voltar a tomar medidas contra o Uber.

Fontes: The Wall Street Journal, The New York Times

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