Uber pode afastar Travis Kalanick do cargo de CEO

Por Redação | 12.06.2017 às 12:37

Grandes mudanças parecem estar a caminho da Uber, com o conselho da companhia discutindo até mesmo um possível afastamento de seu CEO, Travis Kalanick. Em uma reunião realizada neste domingo (11), os executivos da companhia teriam aceitado todas as recomendações de uma investigação interna voltada para mudar as práticas de gestão e evitar assédio e má conduta.

As alterações ainda seriam confidenciais, a serem reveladas aos funcionários da plataforma nesta terça-feira (13), mas vazaram na imprensa por meio de uma fonte ligada à companhia. De acordo com as informações, a decisão sobre a saída de Kalanick – que não foi citada como recomendação pelos advogados contratados para a análise da empresa – ainda não teria sido tomada, mas foi amplamente discutida na reunião deste final de semana.

Entre as possibilidades estaria uma saída apenas temporária do CEO, que poderia voltar após alguns meses em um cargo de menos responsabilidade, onde atuasse sob maior supervisão. Seria uma forma de reduzir as polêmicas nas quais ele costuma se envolver, variando desde comentários inflamados na imprensa até acusações de ex-funcionários e discussões com motoristas do Uber.

Outra preocupação seria reduzir a autonomia de departamentos como recursos humanos e financeiro, que teriam levado a gastos demasiados e situações incompatíveis com uma companhia do porte da Uber. Más práticas também teriam levado à criação de mecanismos de rastreamento de usuários, colocando a empresa na mira das autoridades, e a um processo por roubo de propriedade intelectual que pode prejudicar o futuro da companhia no segmento de veículos autônomos.

Em fevereiro, a Uber contratou um escritório de advocacia para conduzir um profundo estudo sobre suas práticas e funcionamento, com o fim de melhorar sua imagem perante colaboradores e o público. O relatório ficou pronto há algumas semanas e todas as medidas apontadas foram aprovadas por unanimidade, o que incluiu também o voto do próprio Kalanick, que participou da reunião neste domingo.

Entre os depoimentos de funcionários colhidos pelos advogados, liderados pelo ex-procurador geral Eric Holder, estão alegações de assédio sexual e de discriminação de raça, gênero ou posição política. Existem relatos também de bullying ou retaliações de diretores contra colaboradores, com Kalanick tendo um “time de favoritos” que estariam submetidos a regras diferentes do restante dos empregados – e até mesmo eles permaneciam sob a pressão constante de deixarem esse seleto grupo.

Por mais que a reunião tenha acontecido apenas neste fim de semana, algumas medidas já haviam sido tomadas, como a demissão de mais de 20 pessoas devido a tais práticas. Entre elas está Eric Alexander, diretor da Uber para a região asiática, que teria obtido ilegalmente registros médicos relacionados a um caso de estupro ocorrido em um dos carros da companhia na Índia. O executivo estaria convencido de que a situação foi inventada por rivais do serviço e chegou a compartilhar os prontuários com o próprio Kalanick, com ambos acreditando que a mulher havia sido apenas atacada, não abusada.

A Uber não comentou sobre os resultados da reunião de domingo nem confirmou que ela realmente ocorreu. O mesmo vale para a firma de advocacia contratada pela empresa, mas a noção é de que, como as medidas já estão em andamento, não deve demorar para que os reflexos desse encontro sejam revelados publicamente.

Fontes: Reuters, Business Insider