Uber perde US$ 1 bilhão por ano na China

Por Redação | 17 de Fevereiro de 2016 às 16h05

Na mesma medida em que se vê envolvido em polêmicas, o Uber também observa seus lucros crescerem. Menos na China, onde, de acordo com o CEO Travis Kalanick, a plataforma perde cerca de US$ 1 bilhão ao ano devido à grande concorrência no mercado asiático. E esse combate todo tem um grande rival: o Didi Kuaidi.

Não basta apenas o fato de que o serviço está muito à frente do Uber em corridas completadas – foram sete milhões em agosto de 2015, última vez que dados desse tipo foram divulgados, contra um milhão do concorrente. Kalanick aponta como um fator determinante o recebimento quase que ininterrupto de financiamento pelo rival, que serve para que ele possa se expandir e continuar movendo suas operações adiante, arrebanhando market share, mesmo que ainda esteja tendo prejuízo.

A operação do Uber na China é separada daquela que acontece no restante do mundo. Por lá, a empresa caminha com as próprias pernas e, apesar da ajuda da gigante das buscas Baidu, encerrou recentemente uma rodada de investimentos que não teve resultados ou montantes divulgados. Isso, para os especialistas, é sinal de problemas – caso o aporte fosse bilionário, a empresa faria questão de revelá-lo para o mundo como um sinal da saúde de seus negócios.

Enquanto isso, no último investimento recebido, em setembro, o Didi Kuaidi ganhou mais US$ 3 bilhões e hoje tem uma avaliação de mercado de US$ 16,5 bilhões. A plataforma também está disponível em mais cidades e tem uma forte tradição entre os chineses, tendo sido criada a partir de uma união das duas maiores empresas de táxi do país, que se fundiram em fevereiro do ano passado.

Kalanick não vê esse movimento com bons olhos e lamenta que “o mundo seja assim”. De acordo com ele, a melhor opção para o Uber é crescer, e não “comprar market share” por meio de rodadas de investimento. No ano passado, o executivo afirmou que a operação chinesa era uma das grandes prioridades da companhia, uma que está sendo acompanhada de perto por ele próprio.

Entretanto, é curioso notar que, para muitos especialistas, foi justamente o Uber quem iniciou a tendência de empresas recebendo grandes investimentos e aportes financeiros mesmo apresentando números de grande prejuízo. Portanto, as afirmações de Kalanick soam como uma ironia do destino, uma vez que, na China, a empresa parece estar sofrendo com um movimento que ela mesma ajudou a criar no restante do mundo.

Fontes: Mashable, Quartz

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