Uber fala em reduzir pagamentos a motoristas “porque pode”

Por Redação | 19 de Maio de 2015 às 11h28

Em uma realidade econômica problemática, ou não, cortes de salário podem e devem acontecer. O problema é quando esse tipo de coisa acontece com o único propósito de aumentar as margens de lucro de uma empresa. É em uma polêmica desse tipo que o Uber está envolvido agora, depois que um diretor de um fundo de investimentos norte-americano trouxe a público declarações atribuídas a Brent Callinicos, ex-CFO da plataforma, que disse cogitar reduzir o pagamento de motoristas simplesmente “porque pode”.

Quem revelou essa postura foi Mike Novogratz, presidente da Fortress Investments, um conglomerado de US$ 70 bilhões. Ele não citou Callinicos por nome, mas disse que, durante uma recente rodada de investimentos para o sistema de transporte, o executivo mostrou como um crescimento rápido na margem de lucros poderia se dar ao aumentar a taxa cobrada dos motoristas, que hoje varia de 20% a 25%, de acordo com a cidade, para até 30%.

Para Novogratz, essa atitude reflete um grave problema das empresas norte-americanas, que colocam a própria margem de lucro acima de fatores econômicos ou políticos. A ideia de que os motoristas, justamente uma das partes que sustentam o Uber, tenham que receber menos para agradar acionistas não soou bem e, inclusive, foi associada ao fato da Fortress Investments ter aplicado dinheiro no Lyft, rival do serviço de carros.

Em resposta, o Uber disse que desconhece o teor da conversa e que a postura a que se referiu o investidor não está entre as políticas da empresa. Além disso, disse que os números a que Novogratz se referiu não são novos, já que em alguns territórios a taxa paga pelos motoristas já chega a 30% devido a fatores regionais. Callinicos deixou o cargo de CFO em março e hoje faz parte do conselho da empresa.

Teorias econômicas

A conversa foi assunto do Wall Street Week, um programa semanal que vai ao ar nos Estados Unidos no domingo pela manhã, e focou, justamente, nesse embate entre os interesses dos acionistas, dos clientes e dos funcionários. O show considerou negativa a ideia de que os lucros devam vir acima de tudo e citou isso como uma mudança de ponto de vista que pode, em um futuro nada distante, gerar problemas trabalhistas e econômicos não apenas para as companhias, mas também para a nação como um todo.

Foram citadas, por exemplo, teorias como as de Henry Ford, da montadora homônima, que acreditava que pagar seus funcionários o suficiente para que eles comprem os produtos que montam é essencial. Agora, porém, esse fator teria sido transferido apenas aos executivos, com eles recebendo bônus caso as ações de sua empresa atinjam certo patamar ou o faturamento seja fechado com um determinado índice de lucratividade.

Seria um reflexo direto da recente crise econômica nos Estados Unidos, que pode acabar, quem sabe, levando até mesmo a uma nova bolha. E, nesse caso, não são apenas os executivos que saem perdendo, mas também toda a população. É um assunto que permanece em desenvolvimento, mas que aparece cada vez mais em livros, informativos e no noticiário econômico. A mudança, porém, parece estar distante.

Fonte: Business Insider, Wall Street Week

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