Uber é acusada de deixar funcionários espionar celebridades e seus ex pelo app

Por Redação | 13 de Dezembro de 2016 às 13h12

A Uber até que tinha conseguido se afastar das polêmicas nos últimos meses, mas uma matéria publicada pelo Reveal nesta segunda-feira (12) jogou uma bomba sobre o colo da startup norte-americana.

Em entrevista ao referido site, Ward Spangenberg, que durante 11 meses atuou como investigador forense na empresa, alegou que a as frouxas políticas de segurança e privacidade da Uber permitiam que seus funcionários espionassem celebridades e ex-namoradas(os). De acordo com Spangenberg, os funcionários tinham acesso às informações de todas as corridas de todo mundo.

Para confirmar a história do perito, o veículo conversou com outros cinco ex-funcionários da Uber, que disseram que a história é verdadeira. Segundo eles, algumas centenas de funcionários tinham acesso às informações de todos os usuários e podiam rastrear as corridas deles com bastante facilidade usando o chamado "God View".

A ferramenta, que mostrava todos os carros do serviço circulando em uma determinada cidade e todas as informações pessoais de seus passageiros, foi pivô do escândalo que eclodiu em janeiro deste ano e rendeu vários processos contra a Uber por invasão de privacidade e segurança.

Despedido em fevereiro depois de 11 meses trabalhando na Uber, Ward Spangenberg diz que frequentemente discutia com a direção da empresa por funcionários estarem espionando corridas de celebridades e ex-namoradas(os). Agora, ele processa startup norte-americana (Reprodução: Ward Spangenberg)

À época, numa tentativa de abafar a polêmica, a empresa disse estar comprometida em encerrar o "God View" e apagar todos os dados que levassem à identificação dos passageiros

Prática ilegal continua sendo feita

Apesar do escândalo e da promessa, ex-funcionários disseram que nada mudou e que a ferramenta continua funcionando, agora com o nome de "Heaven View". Eles também alegam que nenhuma medida efetiva foi tomada para impedir a coleta de dados que levem à identificação dos passageiros, o que significa que todo mundo continua tendo sua privacidade e segurança deliberadamente violadas.

Por causa disso, e por ter sido demitido sem justa causa em fevereiro deste ano, Spangenberg resolveu falar ao público, expor e processar a empresa. Ele diz que jamais concordou com as práticas ilegais da Uber e frequentemente "peitava" o alto escalão por isso - motivo que pode tê-lo levado à demissão.

Por fim, o investigador forense diz que "basta saber o que está fazendo para nunca ser pego" usando o "Heaven View", dando a entender que a empresa ainda é complacente com quem continua rastreando os passos de pessoas comuns e celebridades.

O outro lado

Em sua defesa, a Uber argumenta que mantém regras rígidas de proteção às informações dos clientes que utilizam seu app. Citando investimentos e esforços recorrentes para melhorar a segurança dos usuários, a empresa diz que conta com "centenas de especialistas em segurança e privacidade trabalhando o tempo todo para proteger os dados". "Isso inclui reforçar nossas políticas e técnicas para limitar o acesso a dados por funcionários. Todas as potenciais violações não rapidamente investigadas".

Para finalizar, a empresa garante que os funcionários só têm acesso àquilo que suas funções exigem e que tudo o que eles fazem é registrado e auditado.

Via Reveal

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