Trump afirma que Huawei pode ser incluída em acordo comercial com a China

Por Felipe Demartini | 24 de Maio de 2019 às 13h00
Jabin Botsford/The Washington Post
Tudo sobre

Huawei

Saiba tudo sobre Huawei

Ver mais

Uma nova declaração adicionou teor de dúvida ao recente banimento da Huawei em território americano, ordenado no final da semana passada por Donald Trump. Ao anunciar um pacote de auxílio a fazendeiros afetados pela batalha comercial com a China, o presidente americano afirmou que a operação da fabricante pode ser incluída em um futuro acordo comercial com o país, apesar de a preocupação com segurança ainda ser a principal questão para o governo.

A declaração veio ao final de uma entrevista coletiva, que se seguiu à liberação de US$ 16 bilhões a grupos de agricultores. Trump não deu mais detalhes, afirmando apenas que a Huawei é uma companhia perigosa dos pontos de vista militare de segurança, mas que a inclusão dela em um acordo comercial seria “muito boa” para os Estados Unidos.

O presidente americano disse ser cedo demais para falar sobre a possibilidade de um acordo e não deu mais detalhes sobre o assunto, deixando de confirmar até mesmo se uma proposta desse tipo está em andamento. A fala soa pessoal, com Trump dando a entender que existe a intenção, por parte dele, de inserir a Huawei em um acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Participe do nosso Grupo de Cupons e Descontos no Whatsapp e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Fica, então, a dúvida quanto às reais razões por trás do bloqueio anunciado na última semana e um fortalecimento das razões apontadas pela própria Huawei para isso. A empresa chinesa sempre negou veementemente ser um acessório de espionagem chinesa nos Estados Unidos, alegando com frequência que Trump utiliza de razões políticas para impor sanções e o eventual banimento à empresa.

Essa ideia ganhou força com o bloqueio, com a Huawei sendo uma eventual moeda de troca na guerra comercial. A proibição foi drástica o bastante para que o governo tivesse que voltar parcialmente atrás, aplicando uma exceção de 90 dias para que a fabricante pudesse continuar os trabalhos de suporte e implementação de tecnologias, aquisição de componentes (que precisam ser aprovados por um comitê) e demais atividades relacionadas a software. Empresas como a Google, que anunciou uma suspensão nas atualizações do Android para produtos da marca, também foram autorizadas a continuar os trabalhos.

A tensão se relaciona ao fato de não apenas a Huawei estar proibida de atuar nos Estados Unidos (onde ela tem projetos em andamento no setor de infraestrutura, mas não comercializada smartphones), mas também as empresas americanas não podem negociar com ela. Isso inclui até mesmo componentes não conectados, como telas da Corning ou chips de memória da Micron, duas empresas que se posicionaram contra os bloqueios por ter a fabricante chinesa como grande cliente.

Os críticos de Trump, ainda, apontam para um fator inconsistente das declarações. Afinal de contas, de que maneira o presidente conseguiria garantir que as preocupações relacionadas à segurança seriam deixadas de lado em prol de um acordo comercial, com a China deixando de espionar os EUA por conta disso? E caso esse seja efetivamente o caso, seriam elas, então, pequenas o bastante para sustentar o banimento inicial?

Seja como for, a novela deve continuar. Há mais de um ano, Trump e o presidente chinês Xi Jinping continuam medindo forças e aplicando tarifas e sanções a produtos importados e exportados entre China e EUA. Diferentes tentativas de acordo não deram certo e, agora, os dois devem se encontrar novamente durante o G-20, encontro dos líderes das 20 maiores economias do mundo, que acontece em junho.

Fonte: C-Span, The Verge

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.