Transformação digital não depende de tecnologias disruptivas

Por Colaborador externo | 06.04.2017 às 15:52
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Alexandre Morais*

É indiscutível que cada vez mais caminhamos para a transformação digital em todos os âmbitos de nossas vidas, especialmente nas relações corporativas. Empresas que ainda resistem em discutir a digitalização de suas atividades perdem a chance de diminuir custos, otimizar recursos materiais e humanos, reduzir tempo de trabalho e até mesmo de obter insights de novos modelos de negócios, sendo esta a principal característica da transformação digital.

Porém, é importante ressaltar que para um processo desse tipo acontecer este não se depende, necessariamente, da adoção de tecnologias disruptivas para ser bem sucedido. É possível promover mudanças organizacionais relevantes com ferramentas já existentes no mercado, desde que adaptadas a modelos de negócios diferenciados, que tenham como foco a experiência do cliente.

Um exemplo claro disso foi o que ocorreu nos Jogos Olímpicos Rio 2016, com a implementação de um sistema em Cloud no gerenciamento das operações de TI. A tecnologia de computação em nuvem não era nova, mas a orquestração de todas as aplicações de TI, ofertadas por diferentes fornecedores, com um sistema integrado coordenado pela Atos, foi uma verdadeira transformação digital dos Jogos.

A partir de um único centro de operações, essa transformação permitiu desde a entrega de resultados esportivos em tempo real até a neutralização de milhões de incidentes de segurança.

Alinhamento estratégico

Outro fator fundamental para as organizações que pretendem acelerar seus processos de transformação digital é o alinhamento estratégico de objetivos, que precisa envolver os níveis executivos da companhia. Essa coordenação é indispensável quando a transformação exige mudanças de gestão e de cultura organizacional, que podem necessitam garantir o engajamento em todos os níveis.

Em outras palavras: convencer executivos e gestores sobre a necessidade de romper paradigmas e apostar em soluções inovadoras é sempre um dos primeiros passos de um processo de transformação digital bem sucedido.

Além disso, contar com o apoio de um consultor de qualidade, capaz de orientar os esforços de transformação é um fator crítico para o sucesso. Esse parceiro pode guiar a empresa na hora de definir que tipo de tecnologia é mais adequada para sua realidade naquele momento ou projeto específico.

A computação em nuvem, por exemplo, pode reduzir custos de TI e agilizar processos. No entanto, para utilizá-la, é necessário realizar, de forma estruturada, a migração das plataformas atualmente utilizadas, um processo que exige know-how e experiência comprovada.

Outra tecnologia de ponta, a análise de Big Data, é cada vez mais importante na relação entre as empresas e seus clientes, permitindo maior fidelização e oferta de produtos segmentados de acordo com seus hábitos de consumo. Mas também demanda a digitalização de processos e a adoção de sistemas de gestão avançados.

O universo digital passa por constantes transformações. Hoje, temos modelos de negócios inovadores que crescem rapidamente tomando o espaço daqueles dominavam o mercado há poucos anos. No futuro, certamente teremos novidades ainda maiores, com a consolidação da internet das coisas (IoT) e da computação cognitiva, por exemplo.

Por isso, não ter medo de mudanças e estar sempre atualizado sobre as tecnologias de vanguarda é essencial. Mas também é preciso ter em mente que muitas ferramentas capazes de modernizar o negócio já estão à disposição. É possível agir agora.

* Alexandre Morais é head de Transformação Digital e Consulting da Atos América do Sul e SAP da Atos Brasil, sendo responsável pelo gerenciamento de consultoria de TI, incluindo desenvolvimento de negócios, propostas, análise de bid, entregas e profit and loss.