Tim Cook pede que funcionários da Apple permaneçam unidos após vitória de Trump

Por Sérgio Oliveira | 10.11.2016 às 09:03

Contrariando todas as expectativas e previsões, o magnata do ramo imobiliário Donald Trump superou a ex-secretária de estado Hilary Clinton nas eleições presidenciais dos Estados Unidos e assumirá a Casa Branca a partir de 20 de janeiro do ano que vem.

A notícia pegou o mundo inteiro de surpresa e deixou muita gente preocupada, inclusive na Apple. Tanto é que Tim Cook, CEO da Maçã, teve de tranquilizar seus funcionários nesta quarta-feira (09) e encorajá-los a ajudar uns aos outros a seguir adiante.

Em um memorando interno, Cook citou até Martin Luther King Jr. para animar os trabalhadores da Apple.

"'Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito'. Esse é um conselho atemporal e um lembrete de que só podemos fazer um bom trabalho e melhorarmos o mundo se seguirmos adiante", escreveu o presidente executivo.

A mensagem de apoio e solidariedade tem seus motivos. Durante sua campanha, Trump atacou veementemente a Apple, sobretudo depois que a companhia se negou a desbloquear o iPhone utilizado pelo atirador de San Bernardino. Em fevereiro, o presidente eleito chegou até mesmo a pedir que as pessoas boicotassem os produtos da Maçã. Antes, em janeiro, Trump também prometeu que iria forçar a "Apple a fabricar a porcaria dos computadores dela" nos Estados Unidos.

Some a tudo isso todos os discursos verborrágicos, misóginos, racistas e sexistas proferidos pelo presidente e podemos ver que há vários motivos para muita gente entrar em pânico. No caso da Apple, a empresa vem ampliando sua política de diversidade de empregados. Sobre esse assunto em específico, Cook garantiu que a companhia "está de portas abertas para todos, e temos orgulho da diversidade da nossa equipe nos Estados Unidos e ao redor do mundo - independentemente do que eles parecem, de onde eles vêm, como eles adoram ou quem eles amam".

O mais curioso de tudo isso é que Tim Cook não cita o nome de Trump uma vez sequer em toda a carta. Mesmo assim, está implícito o repúdio do chefão da Apple ao novo presidente.

Confira o memorando interno enviado por Tim Cook aos funcionários da Apple na íntegra e traduzido:

"Equipe,

Hoje ouvi muitos de vocês falarem das eleições presidenciais. Em uma disputa política em que os candidatos eram tão diferentes e que cada um recebeu um número similar de votos populares, é inevitável que o resultado não tenha deixado muitos de vocês preocupados.

Nós temos um quadro de funcionários muito diversificado e que inclui simpatizantes de cada um dos candidatos. Independentemente do candidato que cada um de nós apoiou como cidadão, a única maneira de seguirmos em frente é fazê-lo juntos. E isso me faz lembrar de um discurso de Martin Luther King Jr. de 50 anos atrás: ''Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito'. Esse é um conselho atemporal e um lembrete de que só podemos fazer um bom trabalho e melhorarmos o mundo se seguirmos adiante.

Embora haja discussões sobre as incertezas que estão à nossa frente, vocês podem ficar tranquilos que o norte da Apple não mudou. Nossos produtos conectam pessoas em todo o mundo e fornecem ferramentas para que nossos clientes façam mais para melhorar suas vidas e o mundo em geral. Nossa empresa está de portas abertas para todos, e temos orgulho da diversidade da nossa equipe nos Estados Unidos e ao redor do mundo - independentemente do que eles parecem, de onde eles vêm, como eles adoram ou quem eles amam.

Sempre enxerguei a Apple como uma grande família e eu os encorajo a apoiar seus colegas se eles estiverem se sentindo para baixo.

Vamos seguir em frente - juntos!

Atenciosamente,

Tim"

Via Buzzfeed News