Tim Cook: “O que o FBI nos pediu é o equivalente em software a um câncer”

Por Redação | 25 de Fevereiro de 2016 às 12h44
photo_camera Divulgação

Tim Cook voltou a se pronunciar publicamente sobre o pedido controverso do FBI para o desenvolvimento de uma versão adulterada do iOS – a fim de ganhar acesso ao iPhone 5C deixado para a posteridade por um dos criminosos responsáveis pelo Massacre de San Bernardino (Califórnia, EUA) .

Em entrevista à rede de TV ABC News, o CEO da Apple reiterou o que havia dito em carta aberta, dessa vez comparando a backdoor pedida pelo bureau a um câncer – cujo potencial seria o de colocar centenas de milhares de usuários da Maçã em risco.

“A única forma de obter as informações [contidas no iPhone 5c do terrorista] – pelo menos a única que nós conhecemos no momento – seria desenvolver um programa que seria o equivalente em software a um câncer”, disse ele à referida rede. “Nós consideramos que isso seria péssimo”, ele continua. “Nós jamais escreveríamos [esse código]. Nós mesmos jamais o escrevemos, e é isso que está em pauta agora.”

A questão do “precedente”

O executivo levantou novamente a questão do pretexto que representaria a concordância da Apple em desenvolver semelhante “hack”, cujo resultado seriam criptografias menos confiáveis para os smartphones de forma geral. “Se a corte pode nos pedir para escrever esse software, então pense no que mais eles poderiam nos pedir para criar”, disse Cook. “Eu não sei onde isso iria parar, mas eu sei que isso não é algo que deveria acontecer neste país.”

Apple e FBI

Não obstante, o CEO reforça o quão complicado é se colocar em desacordo com uma decisão do governo. “Isso não parece certo”, disse. “É uma posição bastante desconfortável.” Ademais, Cook também expressou seus sentimentos pelas famílias impactadas pelo ataque, garantindo que se o FBI tivesse procurado a Apple antes de alterar a ID do iPhone 5c, o desfecho poderia ter sido diferente.

“Deviam ter nos procurado antes de alterar a ID”

Isso porque, segundo a Apple, havia a possibilidade de levar o aparelho até uma rede WiFi conhecida, para que ele enviasse backups automáticos para a iCloud (caso a opção estivesse habilitada). Entretanto, Cook afirma que apenas ficou sabendo do processo movido pelo FBI através da imprensa.

“Nós demos a ele tudo o que tínhamos. Nós não sabemos se há alguma informação no telefone. Nós não sabemos o que há ou o que não há ali. E o FBI também não sabe. O que nós sabemos é que passamos todas as informações que obtivemos do telefone e que, para obter informações adicionais sobre isso – ou para, pelo menos, fazer o que o FBI quer que nós façamos -, nós precisaríamos colocar em risco centenas de milhões de pessoas.”

Tim Cook

Cook reforça que a Apple não está protegendo os dados de um telefone, mas sim as informações nos aparelhos de todos os seus clientes. O executivo garante ainda que se houvesse uma forma de obter as informações sem prejuízo para os usuários, a companhia o faria. “Isso tem a ver com o futuro”, disse ele. “Quanto mais as pessoas entendem o que está em jogo aqui, mais apoio nós conquistamos”, conclui.

Com informações da ABC News

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