Tim Cook explica por que se encontrou com Donald Trump na semana passada

Por Redação | 19.12.2016 às 22:40

Tim Cook, CEO da Apple, está se justificando após ter se encontrado com Donald Trump na semana passada. Para ele, a única maneira de influenciar o presidente eleito dos Estados Unidos é envolver-se com ele.

"Particularmente, nunca pensei que ficar para escanteio fosse seguro", escreveu o CEO em um memorando interno para funcionários da Apple. "A maneira que você tem de lidar com estes problemas é entrar no campo de batalha. Então, seja neste país, ou na União Europeia, ou na China, ou na América do Sul, temos que nos envolver. Nos envolvemos quando concordamos e nos envolvemos quando discordamos. Acho que é muito importante fazer isso porque não dá para mudar as coisas na base do grito. Você muda as coisas quando mostra para todo mundo por que do seu jeito é melhor. De várias maneiras, é um debate de ideias".

De acordo com o TechCrunch, uma das perguntas mais recorrentes para Cook é como ele considera o envolvimento com o governo e o quão importante relações desse tipo são para a Apple. O chefe da Maçã diz que o assunto é de extrema importância, porque "o governo pode afetar nossa capacidade de fazer o que fazemos". Para Cook, o governo afeta a empresa de maneira positiva e/ou negativa, a depender do contexto. Mas reiterou que ainda mantém sua opinião bastante firme com base nos seus próprios princípios.

"O que fazemos é focar em políticas. Algumas de nossas áreas principais são privacidade, segurança e educação. Elas defendem direitos humanos e andam expandindo a definição do termo. Elas existem no nosso ambiente e estão aí para combater o aquecimento global, ideia com a qual já estamos alinhados por tocar nossos negócios com energia 100% renovável".

Na verdade, a Apple atraiu a ira de Trump porque, no passado, se recusou a ajudar o governo a quebrar senhas de iPhones de criminosos, defendendo o princípio de privacidade até o fim (como ocorreu no caso dos atiradores de San Bernardino no início do ano). Autorizar o FBI a invadir o smartphone seria o mesmo que abrir um precedente para que qualquer outro entendido do assunto hackeasse o dispositivo. A companhia, aliás, prometeu não se envolver em nada que tivesse a ver com a guerra entre americanos e muçulmanos. Por isso mesmo é que o presidente eleito andou enfrentando a empresa e pediu para que os iPhones fossem fabricados nos Estados Unidos.

Tim Cook está entre os vários líderes da indústria tech que participaram de uma reunião com Donald Trump na semana passada, onde foram levantadas questões sobre informática, ciência e educação. O executivo também participou de uma reunião particular com o republicano.

Via TechCrunch