TikTok | Regulações chinesas levam ByteDance a retomar conversa com EUA

Por Felipe Demartini | 11 de Setembro de 2020 às 19h45
Solen Feyissa/Pixabay
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A tensa disputa entre o governo dos Estados Unidos e a ByteDance, dona do TikTok, ganhou um capítulo um tanto inusitado nesta semana com a retomada das negociações entre a companhia chinesa e a Casa Branca. A ideia, de acordo com o noticiário de tecnologia, é que a rede social está entre a cruz e a espada, vendo o prazo dado pelo presidente americano Donald Trump se aproximando rapidamente enquanto, em casa, enfrenta problemas regulatórios que poderiam impedir uma venda.

No centro da questão estariam desafios regulatórios impostos por agências chinesas, que não aprovam a ideia de que a operação americana do TikTok tenha que ser vendida para uma empresa estrangeira. A preocupação, de acordo com fontes ligadas à negociação, seria semelhante à citada pelo governo dos EUA, a segurança dos dados trafegados pelos servidores da rede social. Na visão dos chineses, a passagem de tais informações pelas mãos de companhias americanas não estaria soando nada bem, a ponto de o governo estar ativamente tentando impedir o negócio.

Do outro lado, entretanto, está um dos maiores mercados ocidentais para o TikTok, o que levou a ByteDance a tentar, novamente, conversar com a Casa Branca. A negociação com o governo americano envolveria uma revogação da ordem executiva assinada por Trump ou, pelo menos, um afrouxamento das condições para que a operação americana da rede social não precise ser vendida completamente para que ela continue funcionando no país.

De acordo com informações veiculadas pelo canal americano CNBC, um dos caminhos possíveis seria o de uma reestruturação, uma alternativa que, inclusive, já vinha sendo discutido internamente pela ByteDance, junto a parceiros dos EUA, antes do ultimato assinado por Trump. Não se sabe, entretanto, se os papos nesse sentido estão avançando ou se uma extensão no prazo de banimento pode ser concedida ao TikTok.

A ordem executiva foi assinada por Trump no dia 14 de agosto e dá um prazo de 90 dias para que as operações americanas da rede social fossem vendidas a uma empresa do país, caso contrário, ela será proibida de operar por lá. Entre os possíveis interessados nesse negócio estariam a Microsoft, mais cotada para assumir os trabalhos, mas também o Twitter e a Oracle.

Mudanças gerenciais importantes também foram vistas como um caminho para chegada a um meio-termo. A saída do CEO do TikTok, Kevin Mayer, menos de quatro meses após sua contratação, seria um sinal de que a reestruturação é o caminho escolhido pela ByteDance para resolver os problemas da operação americana do app, enquanto tenta, também, desafiar judicialmente a ordem executiva assinada por Trump. Em todas as frentes, porém, ainda não houve sucesso, com o relógio continuando a correr contra a plataforma.

A ByteDance não se pronunciou sobre a possível tentativa de extensão ou as novas negociações com a Casa Branca. Da mesma forma, e por mais que rumores semanais afirmam que o anúncio da venda está próximo de acontecer, nada foi revelado oficialmente neste sentido até agora.

Fonte: Reuters, CNBC  

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