Tesla está em busca de um sistema mais avançado de direção autônoma

Por Redação | 05 de Agosto de 2016 às 15h27

A Tesla anunciou na semana passada que havia encerrado a parceria com a empresa MobileEye, fornecedora da tecnologia por trás do sistema de direção semi-autônoma dos veículos da marca. A notícia veio semanas depois da National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) anunciar que estava investigando um acidente fatal ocorrido com um Tesla enquanto, supostamente, a função Autopilot, que dirige o carro automaticamente sob supervisão do motorista, estava ativado. Ainda não se sabe com certeza o real motivo do fim da parceria, mas boatos dizem que o surgimento de tecnologias mais avançadas tenha motivado a ruptura.

A MobileEye fornece um sistema de reconhecimento de imagens capaz de identificar placas e obstáculos nas estradas, assim como outros carros e também pedestres. A empresa disse que sua tecnologia é baseada em deep learning, técnica baseada em uma rede de neurônios artificiais que reconhece situações reais e compara com inúmeros exemplos em seu sistema interno.

A Tesla nunca divulgou abertamente os detalhes do funcionamento da função Autopilot presente em seus carros, mas provavelmente utiliza informações do sistema da MobileEye juntamente com dados dos radares e sensores de ultrassom instalados nos veículos. É possível que a Tesla esteja trabalhando em um sistema próprio voltado para direção autônoma, já que recentemente recrutou vários profissionais dessa área.

Tesla Model S 2016 (Computador de Bordo)

(Imagem: computador de bordo do modelo Tesla S)

Antigamente, os primeiros sistemas que almejavam essa automatização da condução eram baseados em regras desenvolvidas por engenheiros para reconhecer obstáculos e tomar decisões críticas em algum evento na estrada. Hoje, essas regras estão sendo substituídas por máquinas que aprendem a tomar decisões a partir da análise de toneladas de dados processados. Os novos sistemas que estão sendo desenvolvidos vão permitir não somente a identificação dos obstáculos na estrada, mas também sua distância e até mesmo sua provável trajetória durante o movimento.

A Nvidia, outra empresa fornecedora de tecnologia para várias montadoras de automóveis que possuem algum sistema de direção autônoma, já exibiu um protótipo de hardware baseado em deep leargning que controla absolutamente tudo em um veículo para oferecer uma direção 100% autônoma. Claro, toda a tecnologia foi desenvolvida e testada em um ambiente controlado e experimental, e não necessariamente chegará ao mercado, apesar de exibir o nível de maturidade que esses sistemas já estão chegando.

Ignmar Posner, professor da Universidade de Oxford e expert na aplicação de máquinas inteligentes em sistemas de direção em veículos, diz que o deep learning vai assumir cada vez mais responsabilidades nas decisões à medida que sua tecnologia evoluir. “Eu acho que as aplicações nesse campo da direção autônoma aumentarão conforme novas modalidades de detecção sejam introduzidos. Por exemplo, pode ser que seja criado um sistema que aprenda a antecipar ações de um motorista antes mesmo dela ser executada, dando as opções de como proceder”, diz Posner.

Algumas startups já estão trabalhando em sistemas mais avançados de direção baseados na tecnologia de redes neurais. A Drive.ai, por exemplo, começou como um grupo de pesquisadores de inteligência artificial (AI) na Universidade de Stanford e está desenvolvendo um sofisticado sistema de direção que eventualmente poderá chegar aos veículos à venda. Assim como o sistema da Nvidia, a Drive.ai usa as redes neurais para identificar elementos, incluindo o reconhecimento de imagens e para planejar e controlar os movimentos. Em abril desse ano, ela foi a 13ª empresa a receber permissão para realizar testes com seus veículos em rodovias da Califórnia.

carro autônomo Google

(Imagem: carro autônomo do Google em testes na Califórnia)

Após anos de lentos avanços e poucos progressos, a indústria automotiva está mudando em um ritmo incrível, com computadores e sensores muito mais importantes do que os motores e seus cavalos de força. O fato de empresas compostas por engenheiros de software e de computação estarem encabeçando essa revolução mostra como a tecnologia está prestes a mudar completamente a forma como lidamos com os automóveis.

Carol Reiley, cofundadora da Drive.ai, diz que essa área de inteligência artificial responsável pela autonomia de direção dos carros é bastante abrangente e sensível ao mesmo tempo, já que é responsável por vidas. Um dos objetivos da empresa é tornar essa tecnologia um pouco mais transparente para os usuários, permitindo que eles tenham conhecimento pelo menos parcial do que está sendo processado pelo sistema e quais as respostas possíveis para aquelas situações.

Várias empresas ao redor do mundo estão nessa corrida frenética para colocar carros completamente autônomos nas ruas o quanto antes. A Drive.ai está entrando agora no mercado, enquanto o Google já vem testando seus carros há um tempo com o objetivo de vender sua tecnologia para as montadoras tradicionais. Rumores também apontam para uma possível empreitada da Apple nesse mercado, mas ainda não se sabe ao certo se seria para venda de um veículo próprio da marca ou utilização da tecnologia por terceiros.

Via: TR

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