Tesla modificará sistema Autopilot em seus carros após acidente fatal

Por Sérgio Oliveira | 23 de Julho de 2016 às 11h44

À medida que carros autônomos e sistemas de condução automática se popularizam, cresce o número de relatos de problemas relacionados a eles. Já noticiamos alguns acidentes aqui e acolá, mas nenhum deles tão grave quanto o que levou Joshua Brown a óbito, quando ele utilizava o piloto automático do Model S da Tesla.

Como era de se esperar, a fatalidade levantou inúmeros questionamentos sobre a segurança do Autopilot da montadora, que se negou a desativar o sistema nos veículos. Ao invés disso, em seu perfil no Twitter, o CEO Elon Musk afirmou que a empresa trabalharia em melhorias para evitar a reincidência desse tipo de coisa.

Ainda não se sabe ao certo no que a montadora está trabalhando, mas alguns tweets de Musk dão pistas sobre como tudo deve funcionar daqui para frente. Por exemplo, ele disse estar trabalhando em formas de "utilizar [melhor] o radar existente" nos carros, com a implantação de técnicas de "suavização temporal" para incrementar a detecção de objetos nas pistas. Ou seja, não há qualquer intenção de adicionar novos equipamentos aos carros, o que certamente geraria um recall gigantesco para sua instalação.

Ao invés disso, a ideia é atualizar o software do Autopilot em si para que, possivelmente, ele passe a utilizar ondas de luz para determinar a distância entre objetos. Embora a técnica seja bastante eficiente em condições normais de tempo, ela tem dificuldades de executar sua função sob chuva, neve e névoa.

Devido a essa limitação, a Tesla também pode estar considerando desacoplar o radar do piloto automático do sistema de câmeras, o que ajudaria os veículos a identificarem melhor objetos reluzentes e espelhados. Inclusive, foi esse o motivo que levou o Model S a colidir com um trailer e matar Brown em maio. Segundo Musk, se o radar atuasse de maneira independente das câmeras teria conseguido identificar a quina do trailer e frear o automóvel - o que a câmera não conseguiu fazer e, portanto, não acionou o sistema de piloto automático.

Independentemente de quais sejam as alterações que serão promovidas pela Tesla ao Autopilot, o acidente fatal e as demais falhas noticiadas nos últimos meses não só colocam em xeque toda a ideia de caros autônomos como também nos mostram que ainda há um longo caminho a ser percorrida até que consigamos entrar em nossos carros e não nos preocuparmos com o trânsito.

Com informações do Green Car Reports

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