Telefônica Brasil reduzirá investimentos no país em 2016

Por Redação | 27.07.2016 às 15:40

A crise também chegou ao setor de telecomunicações, e as empresas começam a anunciar cortes em suas operações no Brasil. É o caso da Telefônica, dona da marca Vivo, que estima uma queda de até 20% nos investimentos neste ano, em comparação aos R$ 8,32 bilhões registrados em 2015.

De janeiro a junho, os gastos em bens de capital (capex) da companhia atingiram R$ 3,26 bilhões, queda de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, os investimentos também caíram para R$ 1,77 bilhão (queda de 14%). Nesse tempo, a entidade direcionou seus gastos para a ampliação da capacidade de rede em grandes centros e para o aumento da infraestrutura de transmissão.

Segundo o relatório de resultados da Telefônica Brasil, no segundo semestre, os investimentos serão focados na ampliação da cobertura 4G e no aumento da penetração do FTTx (arquitetura de redes de transmissão de alto desempenho, baseadas em tecnologia óptica). A empresa continuará rigorosa com despesas operacionais, como subsídios a aparelhos.

"Os competidores lançaram campanhas agressivas em termos de preço, mas claramente o mercado percebeu que trocar valor por volume não funcionou tão bem nos últimos meses", destacou Amos Genish, presidente-executivo do grupo. Ele também destacou que o foco da operadora será no segmento pós-pago, pois este foi o setor menos afetado pela crise. No entanto, a companhia acredita que a expectativa de melhora das tendências econômicas deve se refletir principalmente no pré-pago e acompanhará a evolução do cenário.

Christian Gebara, vice-presidente-executivo de marketing e vendas da Telefônica Brasil, afirmou que o segundo trimestre trouxe resultados promissores, não apenas no pós-pago, mas também em portabilidade, e a companhia continuará focada no fortalecimento do segmento e na estratégia de valor, a partir da ampliação da cobertura e de esforços para adicionar mais clientes 4G.

Resultados

No segundo trimestre deste ano, a Telefônica Brasil teve lucro líquido de R$ 699,5 milhões, o que representa uma queda de 23,2% em relação ao mesmo período de 2015. Excluindo o impacto não recorrente da provisão para reestruturação organizacional, o lucro líquido foi de R$ 766,3 milhões, redução de 15,9% ante um ano antes.

A receita operacional líquida de serviços cresceu 1,6% ano a ano, sendo 2,6% no serviço móvel, enquanto a receita líquida do serviço fixo avançou 0,1%. A empresa fechou o segundo trimestre com 97,1 milhões de acesso (queda de 9,1%), sendo 73,3 milhões de linhas móveis.

A entidade atrelou o resultado à maior receita financeira vista no segundo trimestre de 2015 devido a recursos do aumento de capital para a compra da GVT, apesar do melhor resultado operacional no trimestre. A Telefônica elevou a projeção de sinergias de R$ 14 bilhões, na fase de avaliação do negócio, para R$ 22 bilhões.

Fontes: Valor Econômico, Reuters