Tecnologia criou mais empregos, afirma censo europeu

Por Redação | 19.08.2015 às 08:36

Os protestos contra a automação de postos de trabalho, principalmente na indústria, diminuíram nas últimas décadas na medida em que a ascensão das máquinas parecia inevitável. Ainda assim, de vez em quando, surge a pergunta: será que os robôs estão tornando os humanos obsoletos? Muito pelo contrário, de acordo com um censo europeu baseado em mais de 140 anos de dados obtidos na Inglaterra e no País de Gales.

O levantamento da consultoria Deloitte revelou que, desde 1871, mais empregos foram criados do que destruídos com a chegada da tecnologia. Mais do que isso, as vagas criadas ganharam mais prestígio, gerando salários melhores, o que acabou ampliando o poder aquisitivo médio da população, além de ter reduzido a insalubridade, os riscos trabalhistas e a estafa dos trabalhadores.

Para os autores do estudo, uma pergunta é clara: será que a humanidade realmente quer os empregos que foram destruídos pelas máquinas? O trabalho braçal agrícola, por exemplo, é um deles e apresentou um declínio de 95% nos últimos 140 anos. Em 1871, 6,6% dos trabalhadores europeus estavam no campo. Hoje, esse total é de apenas 0,2%. O mesmo vale, por exemplo, para lavadores de roupas, antes 200 mil e hoje 35 mil.

A chegada dos equipamentos tecnológicos também modificou o trabalho de maneira profunda. Se antes ele exigia força e tradição, agora trata-se de prover serviços para outros, um reflexo da maior possibilidade de estudo e conhecimento proporcionada pela menor necessidade de esforço e, sendo assim, maior motivação para estudos.

O crescimento no setor médico, por exemplo, foi de 909% no período, enquanto que no de ensino foi de 580%. Os contadores foram de 9,8 mil em 1871 para 215,6 mil em 2014. Também aumentou a busca por vagas de maior destaque no mercado de trabalho, com uma redução de 50% no total de secretárias na Europa e 57% no de digitadores e profissões semelhantes, mostrando uma maior ambição, reflexo direto de um sistema de ensino e incentivo mais voltado ao sucesso pessoal.

Nessa mesma medida, cresceu também o montante gasto pelos cidadãos em atividades de lazer, uma notícia que explica a proliferação de bares, restaurantes, lojas de eletrônicos ou cinemas, apenas para citar alguns exemplos. Aqui, para o estudo, surgiram muitos dos empregos que acabaram destruídos pela presença de máquinas nas fábricas, também resultando em um menor esforço e maior satisfação pessoal para os envolvidos.

O aumento do poder aquisitivo, por exemplo, foi bastante positivo para salões de cabeleireiros – em 1871, era um profissional para cada 1,7 mil cidadãos, enquanto agora, a proporção é de um para cada 287 pessoas. O número de garçons, baristas e outros atendentes de restaurantes, cafés e bares também quadruplicou no período.

Vale a pena lembrar também que tais números acompanham uma população que quase dobrou no período. Em 1901, eram 32,5 milhões de pessoas morando na Inglaterra e no País de Gales, enquanto hoje são 56,1 milhões. O resultado dessa conta, no final, é de mais empregos, melhores oportunidades e uma noção de que as máquinas não estão tornando os humanos obsoletos, mas sim os forçando a seguir em frente, assumindo as funções braçais e permitindo que todos se especializem e busquem melhores condições de trabalho.

Fonte: The Guardian