Tecnologia aprimora distribuição de petróleo no Brasil

Por Denis Del Bianco

No meu último artigo, abordei os benefícios da inserção de novas tecnologias (móveis) nas etapas de exploração e produção de petróleo, impulsionando a produtividade por meio da digitalização dos negócios. Porém, além de funcionar como um catalisador do aumento da produtividade, principalmente em um modelo integrado de operações, os dispositivos móveis, as plataformas colaborativas, as soluções de analytics e de automação de processos também conferem melhorias substanciais nas etapas de transporte, refino e na distribuição em postos de serviço (downstream).

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, a logística de distribuição de óleo e gás, assim como a de qualquer outro produto, deve ser tratada como altamente crítica para as empresas que atuam na cadeia. Por se tratar de uma indústria cujos elos são interdependentes, o setor precisa disponibilizar seus produtos com qualidade e preços competitivos, mesmo nos pontos mais remotos do Brasil. Para isso, encontra dois grandes desafios: atender ao aumento de consumo na região Nordeste – com previsão de crescimento de 62% até 2020, segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) – e superar a falta de interconexão entre os modais existentes, gargalos que impactam negativamente as margens das empresas, fazendo com que a pressão por redução de custos seja fator extremamente relevante nas decisões a serem tomadas.

Por isso, a adoção de tecnologias disruptivas contribuirá para o aproveitamento cada vez mais eficiente dos recursos existentes, trazendo impactos significativos nos custos de produção e, consequentemente, no repasse do valor da distribuição de ativos. Também, ao prover em um painel de controle a localização exata dos mesmos, será possível otimizar on time a rota e a organização assertiva do fornecimento. Aplicativos de otimização de rota, similares ao Waze, contribuem para uma maior previsibilidade do tempo de percurso, informando vias obstruídas e rotas alternativas.

Da mesma maneira, a otimização da malha logística também confere acuracidade à gestão da frota, minimizando os gastos com transporte. A solução, amplamente utilizada por navios-tanques, porém ainda pouco adotada no modal rodoviário, identifica a quantidade de combustível transportada pelos veículos que estão próximos do local de entrega, definindo, então, quem deverá efetuá-la.

Hoje, os combustíveis derivados de petróleo chegam até as distribuidoras principalmente por dutos e rodovias. As 329 bases de distribuição de combustíveis líquidos autorizadas pela ANP são abastecidas por meio de dutos, ferrovias, hidrovias, cabotagem ou rodovias, sendo que este último corresponde, segundo o ILOS, a 65% do montante. Dado que enfatiza a importância da adoção de tecnologias relacionadas ao downstream no modal rodoviário.

A ineficiência das ferramentas utilizadas é traduzida pelo fato de que, hoje, só é possível determinar quando o caminhão sai da base distribuidora, não sendo monitorado o horário que chegará ao destino final. Nesse contexto, os sistemas de transporte inteligentes, como monitoramento eletrônico e mensagens, permitem tornar este processo mais eficiente e seguro, ao conferir maior previsibilidade quanto ao tempo de percurso com base em dados atualizados do trajeto. Sua adoção, portanto, permite que a distribuidora atualize, em tempo real, a situação do produto solicitado, comunicando, com antecedência, potenciais atrasos, minimizando a ocorrência de multas e elevando o nível de satisfação do cliente.

No mesmo sentido, as soluções de identificação por radiofrequência (RFID) podem conferir precisão à gestão do volume nos caminhões-tanques, restringindo desvios e reduzindo os custos da operação. Ao conectar as informações das etiquetas de RFID instaladas na bomba que suprirá o caminhão-tanque e no veículo, há uma garantia de controle automático do volume de combustível transportado e, portanto, entregue ao cliente.

Já no setor de distribuição, mais especificamente no varejo, os postos de serviços vêm cada vez mais disponibilizando soluções tecnológicas visando, por exemplo, à fidelização de clientes e facilidades de pagamento (mobile payment). Essa tendência contribui para a sofisticação da gama de serviços já ofertados, onde a vantagem competitiva no mercado se definirá pela experiência da conveniência e pela oferta personalizada de produtos e serviços alavancadas pela tecnologia.

Diante da amplitude dos desafios, a aplicação intensa de tecnologias e ferramentas logísticas de integração, monitoramento e otimização da cadeia se consolidará como um fator de diferenciação para todos os elos da cadeia. A digitalização dos negócios permitirá o aumento da competitividade dos modais existentes, além de aumentar a produtividade e confiabilidade das informações do planejamento logístico, reduzindo os custos totais.