Taxistas cobram explicações sobre sobrinho de Haddad que trabalha no Uber

Por Redação | 04.05.2016 às 17:58
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A Câmara Municipal de São Paulo deve votar ainda hoje (4) o projeto de lei que trata da regulamentação de aplicativos de transporte individual, o que inclui o Uber. A votação teria sido antecipada sem aviso prévio aos taxistas, que iniciaram vários protestos pela capital. Agora, a categoria afirma que o fato de um sobrinho do prefeito Fernando Haddad (PT) trabalhar na empresa dona do aplicativo pode contribuir para a aprovação desse projeto.

Desde a noite desta terça-feira (3), taxistas trocavam mensagens de áudio pelo WhatsApp questionando o parentesco do prefeito com Guilherme Haddad Nazar, sobrinho de Fernando que atua como um funcionário operacional do Uber na área de Tecnologia da Informação. Embora não trabalhe no corpo executivo da empresa, os taxistas cobram explicações do governo, pois esse parentesco, segundo os manifestantes, poderia impactar na aprovação do PL-421.

Nesta quarta-feira (4), a Prefeitura de São Paulo confirmou que Haddad é tio de Guilherme. Desde então, o prefeito tem enfrentado forte oposição de parte dos vereadores e de taxistas porque acredita que, caso o projeto de lei que libera o app não seja aprovado na Câmara, ele terá de regulamentar a ferramenta por meio de um decreto.

Questionado sobre o parentesco e o eventual conflito de interesses em apoiar a liberação do aplicativo, Haddad preferiu não comentar esses assuntos, dizendo apenas que, "se tiver qualquer irregularidade, teremos toda a disposição" de atender os manifestantes contrários ao projeto. "As portas do meu gabinete estão abertas. Agora, estamos buscando entendimento. Nos esforçamos ao máximo para buscar conciliação", disse.

Em comunicado oficial, o Uber classificou como "incorreto e injusto" dizer que a presença de Guilherme na equipe da empresa tem qualquer relação com seu parentesco com Haddad. Além disso, a companhia sugeriu que isto não é um fator que influenciará na votação do projeto, como tem indicado o Simtetaxi, sindicado de funcionários das grandes empresas de frota de táxi da cidade e que fez a denúncia.

"Na Uber, contratamos os melhores profissionais com as melhores qualificações para o trabalho. Guilherme Nazar é extremamente talentoso em nossa missão de oferecer transporte acessível como água corrente a todos. Esse é o motivo pelo qual o contratamos. Sugerir qualquer outra coisa é incorreto e injusto", destacou a entidade.

O projeto de lei já foi aprovado em primeira votação em dezembro. Na semana passada, houve uma tentativa de nova votação, que acabou adiada para hoje em meio aos atos de descontentamento dos taxistas que se dizem ameaçados pela concorrência. Se aprovado nesta quarta-feira, no plenário da Câmara Municipal, a matéria será encaminhada para análise do prefeito Fernando Haddad, que poderá sancionar ou vetar o projeto.

Fontes: O Estado de São Paulo, Metro Jornal