Tarifa branca pode reduzir conta de luz de acordo com horário de utilização

Por Felipe Demartini | 19 de Fevereiro de 2019 às 14h03

Uma norma aprovada em 2016 pela Agência Nacional de Energia Elétrica ganhou mais abrangência no dia 1º de janeiro de 2019. É a Tarifa Branca, uma nova modalidade de cobrança que faz com que o preço da luz se altere de acordo com o dia da semana e horário de utilização. Usuários que tenham uma média mensal superior a 250 kW/h podem aderir ao formato, com 15,9 milhões de pessoas estando dentro dessa possibilidade em todo o país.

Basicamente, a ideia das empresas de energia é aplicar uma tarifa rotativa, com valores que aumentam e diminuem de acordo com o momento do dia. Finais de semana e feriados nacionais, por exemplo, sempre são considerados períodos de Tarifa Branca, com valores mais baixos, enquanto o contrário vale para os momentos de pico, chamados de “ponta” e “intermediário” pelas operadoras.

A ideia da agência é, ao mesmo tempo, permitir que os usuários paguem menos na conta de luz por meio de um remanejamento de seus hábitos diários, ao mesmo tempo em que a rede, como um todo, sofre menos stress durante os períodos de pico. Investimentos, melhorias e manutenções também levam em conta os horários de maior ou menor utilização, com a aplicação da Tarifa Branca também servindo para otimizar os gastos em infraestrutura e reduzir os inconvenientes durante desligamentos programados.

Vale a pena?

Horários intermediários e de ponta vão, de maneira geral, das 17h às 22h, mas podem variar por região (Imagem: Copel)

As janelas específicas de pico ou não foram definidas pela Aneel em parceria com operadoras locais e podem ser diferentes de região para região. De maneira geral, os horários “intermediários” vão das 17h às 18h e das 21h às 22h, enquanto o custo da energia fica ainda mais cara no momento de “ponta”, que vai das 18h às 21h. As variações podem ocorrer de acordo com o perfil de cada território e também sofrem influência da presença ou não de horário de verão. Feriados nacionais e finais de semana contam com tarifas mais baixas o dia inteiro.

Saber se a adoção da Tarifa Branca em uma residência vale a pena ou não é um exercício de análise dos hábitos dos habitantes de uma residência, já que, caso exista maior consumo durante os horários de “ponta”, o preço da conta pode acabar aumentando. Também de maneira geral, a nova modalidade pode ser interessante para comércios que fecham em horário comercial e não precisam manter equipamentos ou maquinários ligados, por exemplo, ou pessoas que estudam ou trabalham no período da noite.

Mudanças simples, como apontam as operadoras, também podem tornar a opção vantajosa mesmo para quem está em casa nestes horários. Chuveiro e ar condicionado são os maiores “fominhas” da conta de luz, e transferir o uso destes aparelhos para fora dos momentos de “ponta” pode ajudar na redução do consumo e do valor pago durante os horários de pico, mesmo que outros equipamentos estejam em utilização na residência.

A aplicação das tarifas e reduções para os horários “fora da ponta” também é específica para operadoras e regiões. Em algumas delas, a economia na conta caso o usuário escolha a Tarifa Branca e consuma de acordo pode chegar a mais de 15%. Na outra ponta, caso a escolha não seja feita adequadamente, o aumento na conta de luz também pode ultrapassar os 23%.

A novidade vale tanto para ligações residenciais quanto comerciais e também rurais. Além da exigência de média mensal na casa dos 250 kW/h, entretanto, existem outras restrições para a adoção da Tarifa Branca. Pessoas de baixa renda que já são beneficiárias de tarifas menores ou grandes consumidores com o mesmo benefício não podem aderir, assim como aqueles que fazem parte de redes de fornecimento de média e alta tensão.

Como aderir à Tarifa Branca?

Em 2020, qualquer brasileiro vai poder aderir à Tarifa Branca se achar que vale a pena (Imagem: Governo de São Paulo)

O processo é relativamente simples e envolve uma solicitação que precisa ser feita por telefone diretamente à operadora de energia elétrica da sua região. A marcação para adesão normalmente envolve a instalação de um medidor diferenciado e exclusivo para a Tarifa Branca, enquanto, no momento da escolha, o atendente deverá informar ao usuário exatamente quais são os horários de ponta ou não, para que a escolha seja feita de forma consciente.

O processo de conversão leva poucos dias e o consumidor já começa a contar com os benefícios da Tarifa Branca no momento da instalação. Entretanto, caso sinta que a decisão não foi a mais correta, poderá voltar atrás apenas após um período de 30 dias. No futuro, se quiser retornar à modalidade, deverá esperar mais 180 dias para fazer isso a partir da desativação.

A partir do dia 1º de janeiro de 2020, ainda, todos os brasileiros poderão aderir à Tarifa Branca sem restrições relacionadas a consumo, com a exceção, claro, sendo os já citados usuários de baixa renda ou consumidores de média ou alta tensão.

Fonte: Secretaria de Energia e Mineração (SP), Copel

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