Suporte ao português para tradução simultânea no Skype deve chegar "em breve"

Por Rafael Romer | 25 de Setembro de 2015 às 09h55
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

O suporte para a língua portuguesa no sistema de tradução simultânea de voz do Skype está chegando "muito em breve", afirmou o cientista chefe da Microsoft Research, Henrique Malvar, durante a abertura do Microsoft Insight na manhã desta quinta-feira (24), em São Paulo.

A empresa ainda não deu uma data específica para a chegada do suporte em português, mas afirmou que uma versão de testes já está disponível para usuários brasileiros do Windows 8.1 e Windows 10.

Com o sistema integrado, o Skype é capaz de fazer a tradução simultânea de uma conversa de voz em duas línguas diferentes dentro do serviço. Hoje, o Skype já consegue compreender e traduzir falas em inglês, espanhol, francês, alemão, italiano e mandarim.

Durante sua apresentação, Malvar fez uma demonstração ao vivo de uma conversa em português e inglês via Skype com um colega norte-americano. Apesar da tradução simultânea rápida e correta na maior parte da conversa, o sistema ainda mostrou alguns "engasgos" durante a tradução: "imagine", por exemplo, saiu "eu gina" e a frase "I'm doing fine, thanks", foi traduzida como "estou fazendo bem, obrigado". "Ainda falta finalizar um pedacinho, a coisa é mais complicada por dentro do que parece", brincou Malvar.

De acordo com o pesquisador, atualmente o tradutor para Skype já é mais rápido que uma pessoa fazendo tradução simultânea e o processo de reconhecimento e tradução da fala já começa antes mesmo da frase terminar. No entanto, o cientista afirma que o sistema ainda não é tão bom em reconhecer algumas expressões idiomáticas e palavras semelhantes, coisas que um tradutor humano teria mais facilidade para fazer.

A equipe responsável pelo Skype Translator é a mesma que desenvolveu o mecanismo de tradução do Bing para a Microsoft, o que significa que a ferramenta já tem alguns anos de dados coletados que são utilizados na tradução. Após entregar o português, o próximo passo será estender o suporte para novas línguas - o que Malvar afirma que está sendo feito de idioma em idioma. Outra função que também está na mira da Microsoft é permitir que o sistema traduza mais de duas línguas ao mesmo tempo, o que permitiria conversas em grupo com três ou mais idiomas diferentes sendo utilizados.

Microsoft Insight

Demonstração ao vivo teve alguns "soluços", mas tradução em tempo real do português para inglês foi ágil e suave (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Pesquisa para manter liderança

Malvar é hoje um dos responsáveis pelo departamento de pesquisas da Microsoft, o Microsoft Research - fundado em 1991 e formado por um conjunto de 12 laboratórios focados na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e produtos para a empresa, inclusive no Brasil, onde a companhia abriu um centro no Rio de Janeiro neste ano.

Foi de dentro da Microsoft Research, por exemplo, que saíram tecnologias como o Kinect, HoloLens e o Surface. Malvar conta que o laboratório divide seu trabalho entre quatro áreas: foco na missão, na evolução de produtos, na disrupção com novas tecnologias e no chamado Blue Sky, que são tecnologias futuristas que estão só começando a ser pesquisadas, como a Computação Quântica.

Um exemplo de tecnologia que surgiu no estágio de Blue Sky e hoje se tornou realidade é o detector de movimentos Kinect, que despontou como um protótipo em 1998 e juntava seis microfones para detectar onde uma pessoa estava através da origem dos sons que ela fazia. Doze anos depois, a primeira versão finalizada do Kinect foi lançada utilizando o mesmo conceito de detecção por som, mas aliado à uma câmera e uma hardware mais potente.

Além das pesquisas internas, o Microsoft Research também colabora com diversas universidades e até empresas concorrentes em alguns pontos para explorar tecnologias futuristas que deverão se tornar realidade nas próximas décadas - Malvar, no entanto, não falou sobre nenhum desses projetos. Mas aqui no Brasil, por exemplo, a empresa tem hoje 61 projetos de pesquisas com um investimento de US$ 1,7 milhão.

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