Startup quer entregar medicamentos e sangue com a ajuda de drones nos EUA

Por Redação | 02 de Agosto de 2016 às 13h43

A startup Zipline International está lançando um programa de distribuição de sangue e medicamentos por meio de drones para áreas remotas dos Estados Unidos. O programa já atua em Ruanda, na África, há cerca de um mês, onde consegue operar em metade do território do país com apoio do governo local. Nos Estados Unidos, o objetivo é atender comunidades rurais e reservas indígenas localizadas em Maryland, Nevada e Washington. O anúncio será oficializado durante um workshop sobre aeronaves não-tripuladas que será realizado na Casa Branca nesta terça-feira (2).

Fundada com apoio da Sequoia Partners e da Google Ventures, a Zipline atua desde 2014 e tem como um dos financiadores o cofundador da Microsoft Paul Allen. De acordo com o CEO da empresa, Keller Rinaudo, a entrega por meio de drones pode resolver problemas relacionados ao acesso à saúde em localidades remotas.

"Quando você olha para as comunidades rurais ou isoladas, particularmente as populações nativas americanas, as populações que vivem em ilhas, você tem graves desigualdades na saúde. Há uma relação linear entre o quão longe você vive de uma cidade e sua expectativa de vida. Portanto, a nossa esperança é que este tipo de tecnologia possa resolver esses tipos de desigualdades."

O projeto de entrega por meio de drones em Ruanda tem estimulado o crescimento econômico no país e trazido diversas soluções para instituições e empresas. No entanto, nos EUA a regulamentação na utilização de aeronaves não-tripuladas caminha lentamente. Em junho, a Federal Aviation Administration (FAA) definiu algumas regras que permitem a operação de drones comerciais, mas que ainda estão muito aquém do esperado pelas empresas. As restrições da FAA exigem que os operadores mantenham os drones a vista o tempo todo e impedem que as empresas realizem mais de um voo por vez.

A expectativa da Zipline é que as regulamentações consigam ser alteradas para que o projeto possa ter início dentro do prazo de seis meses. Conhecidos como "Zips", os drones da Zipline conseguem transportar até 1,4 kg e podem voar até 120 km com uma única carga. Além disso, eles possuem sensores de GPS e pesam quase 10 kg, conseguindo realizar entregas em um prazo de cerca de 30 minutos, dispensando assim a necessidade de refrigeração. Hospitais e postos de saúde podem encomendar sangue ou qualquer medicamento por meio de uma mensagem de texto e a entrega será feita por drones com a ajuda de um paraquedas.

Zipline

Conhecidos como "Zips", os drones da Zipline realizam entregas dentro do prazo de 30 minutos

Outras empresas, como a Matternet e a Flirtey, já desenvolveram sistemas de entrega com a ajuda de drones bastante semelhantes ao projeto da Zipline e que foram aprovados pela FAA. A Flirtey realizou sua primeira entrega com drones ao enviar medicamentos para o centro médico rural da Virginia, nos EUA. De acordo com Rinaudo, a medida que serviços assim começam a se expandir, outros governos podem ver o potencial da tecnologia e decidirem aderir ao projeto. "As pessoas pensam que isso é impossível e completamente selvagem. E a realidade é que é perfeitamente possível e, de fato, é muito mais simples", declarou.

Via The Verge