Sony quer expandir segmento de sensores de imagens

Por Redação | 10.06.2015 às 09:44

Apesar dos problemas financeiros e críticas que muitas vezes surgem de dentro de sua própria estrutura, a Sony tem hoje duas meninas dos olhos. A primeira é a divisão PlayStation, com um console que lidera a geração atual; e a segunda é o setor de sensores de imagens, no qual a empresa japonesa atua como fornecedora para outras fabricantes e deseja, agora, expandir ainda mais essa presença, conquistando novos clientes na China, um dos mercados em expansão no setor dos smartphones.

A diversificação vem na forma de um investimento de mais de US$ 1,2 bilhão para expandir de forma significativa sua capacidade de produção, mas sem perder a qualidade dos semicondutores. Mais do que isso, a ideia é reduzir a volatilidade e garantir um fluxo constante de fornecimento, em vez de atuar como hoje, focando apenas nos grandes lançamentos.

Essa segunda ideia, inclusive, tem razão de ser. Oficialmente, a Sony não divulga sua lista de clientes, mas sabemos que grandes nomes como Xiaomi e Samsung utilizam os sensores de imagem da companhia em seus aparelhos de topo de linha. A Apple também faz parte dessas negociações e, apenas aqui, a demanda pelos modelos de iPhone que chegarão ao mercado no final deste ano deve ser responsável por um aumento de 20% no faturamento da fabricante japonesa ao final do atual ano fiscal.

São números e parceiros que impressionam, mas que também representam preocupação. O que aconteceria se, por exemplo, as grandes aliadas recebessem propostas melhores e, de repente, abandonassem a Sony? Ou, então, se a demanda dos usuários acabar sendo menor do que a esperada, resultando em menos pedidos de componentes? É justamente para lidar com isso que Tomoyuki Suzuki, diretor de negócios para dispositivos da Sony, anunciou o projeto de expansão.

Apontado em abril como dirigente do setor, ele assumiu o cargo já com uma bomba nas mãos. O crescimento de 20% no setor de sensores de imagens pode parecer interessante, mas é metade do aumento registrado no ano fiscal 2014, no que, para acionistas e membros do conselho, já seria um reflexo da dependência de apenas poucos e grandes parceiros. Agora, o objetivo é criar componentes mais baratos, focados nos fabricantes menores do mercado chinês, de forma que a marca Sony possa estar em mais dispositivos e em diversos segmentos.

Apesar disso, Suzuki tranquilizou o mercado afirmando que o incremento nos números de produção não vai significar nenhum tipo de redução na qualidade dos componentes. Afinal de contas, eles são considerados uma das “joias” da Sony até mesmo por seus executivos mais tradicionais por serem uma evolução natural dos mais de 30 anos de experiência da empresa com câmeras digitais.

Apesar do setor original estar cada vez mais em segundo plano, a produção e desenvolvimento de sensores de imagem continua em pleno vapor. O principal destaque é uma tecnologia que permite a captura de imagens até mesmo em condições de baixa luminosidade e, para especialistas, é uma das responsáveis por colocar a câmera do iPhone, por exemplo, em vantagem na comparação com outros smartphones.

Mesmo estando por trás dos trabalhos da Sony com chips desde 1979, tendo sido, inclusive, um dos responsáveis pelas evoluções citadas, Suzuki ecoa as vozes da diretoria mais tradicional e deixa claro que, apesar do sucesso, a empresa não é uma fabricante de semicondutores. Ele disse ter ficado surpreso quando a divisão foi taxada como uma das joias da Sony, mas afirmou, ao final do anúncio, que a empresa continua focada de forma prioritária nos dispositivos para o consumidor final.

Fonte: Reuters