Softline fecha aquisição da Compusoftware e mira no Brasil para alavancar IPO

Por Rafael Romer | 22.01.2016 às 08:49 - atualizado em 22.01.2016 às 12:30
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A multinacional russa e provedora de soluções de TI Softline anunciou nesta sexta-feira (22) a aquisição da empresa brasileira de licenciamento de software corporativo e serviços de infraestrutura Compusoftware.

O valor da compra não foi anunciando, mas ambas as organizações passarão a operar no país sob o nome de Softline Brasil, uma empresa com faturamento esperado de US$ 60 milhões para o próximo ano fiscal de 2016 - um aumento de 10% a 20% na receita conjunta de ambas empresas em relação a 2015. Na América Latina, a expectativa da Softline é de faturamento de US$ 150 milhões no próximo ano fiscal.

Agora, as duas empresas iniciam um processo de integração que incluirá uma reorganização dos times das companhias no Brasil. Por enquanto, a Softline Brasil ficará abaixo da divisão Latam da Softline, mas a expectativa é que o tamanho do mercado brasileiro leve a uma separação de operação da empresa nos próximos dois anos, levando o braço nacional a responder diretamente à sede russa.

A aquisição é um dos primeiros passos para a estratégia de longo prazo da Softline, que mira em uma abertura de capital através de uma oferta pública de ações (IPO) prevista para ocorrer entre os próximos três a cinco anos. Antes do IPO, no entanto, a companhia deseja atingir um faturamento global superior a US$ 1 bilhão, além de solidificar sua presença internacional, igualando suas receitas domésticas na Rússia e nas quatro divisões internacionais da empresa - hoje, apenas um quarto do faturamento da Softline tem origem fora da Rússia.

A América Latina é considerada peça central para a estratégia da companhia, além de ser o principal mercado fora do leste europeu e Rússia para a Softline, concentrando 90% das receitas do braço internacional da Softline. Desde que começou suas operações na região em 2009, na Venezuela, a companhia russa tem visto taxas anuais de crescimento que chegam a 120% em alguns países latino-americanos.

No desembarque da companhia russa por aqui, a estratégia central foi apostar em um crescimento orgânico, com expectativa de atingir um valor de mercado de R$ 90 milhões em três anos no Brasil. Mudanças no mercado internacional nos últimos anos e de direção, no entanto, levaram a companhia a repensar a estratégia, que passou a incluir aquisições como ponto central para alavancar o crescimento.

"A situação da América Latina, em particular do Brasil, era diferente. Até aquele momento, nossa estratégia sempre foi o crescimento orgânico. A velocidade de crescimento que tínhamos em todos os países da região nos dava a sensação que podíamos continuar assim", comentou o diretor de vendas, marketing e serviços da Softline para Latam, Gustavo Capart. "Duas coisas mudaram: em 2014, tomamos a decisão de que faremos um IPO em até cinco anos; isso requer que aceleremos alguns planos. Ponto dois, a situação da América Latina mudou, de um boom para uma situação insalubre e de crise, dependendo do país".

A estratégia de expansão através de aquisições deverá continuar mesmo após a consolidação da compra da Compusoftware. O próximo alvo da Softline deverá ser o México ainda neste ano, e a empresa já está de olho em algumas companhias locais para uma possível aquisição em modelo semelhante à realizada no Brasil. Além disso, Capart não descarta futuras aquisições no Brasil para continuar a expansão, mas destaca que o foco deverá ser em complementar a oferta de serviços da empresa por aqui.

Softline

Gustavo Capart (à esq) e o ex-CEO da Compusoftware, José Azevedo, que agora assume a posição da CEO da Softline Brasil (foto: Divulgação/Softline)