Sharp anuncia compra pela Foxconn, mas chinesa prefere adiar aquisição

Por Redação | 25 de Fevereiro de 2016 às 08h53

A partir de agora, a Sharp pertence à Foxconn. Depois de vários rumores que apontavam a negociação entre as duas empresas, o negócio foi finalmente fechado e agora a gigante chinesa famosa pela montagem dos produtos da Apple passa a controlar a famosa marca que já foi sinônimo de videocassetes de qualidade ao longo da década de 90. E o anúncio oficial foi feito pela própria Sharp por meio de um comunicado à imprensa.

Os primeiros sinais dessa união entre as duas companhias começaram a aparecer após o jornal japonês Nikkei e a agência de notícias Reuters apontarem como certa a aquisição da Sharp. Segundo o periódico nipônico, a Foxconn ofereceu nada menos do que 700 bilhões de yen (o equivalente a US$ 6,24 bilhões) para fechar negócio com a Sharp, superando outras propostas — incluindo a de um grupo de investimento financiado pelo próprio governo japonês. A ideia, segundo alguns rumores, é que a Foxconn comece a produzir seus próprios aparelhos ao invés de apenas montar produtos alheios, como acontece atualmente.

No entanto, ao mesmo tempo em que a própria Sharp confirma a aquisição, parece que a Foxconn pisou no freio no último segundo. Segundo o Wall Street Journal, a própria companhia chinesa decidiu adiar a assinatura do contrato final após descobrir que a japonesa possui um total de 350 bilhões de yen em passivos contingentes, ou seja, dívidas e gastos futuros que podem ser herdados pela Foxconn caso a aquisição seja concluída. E não se trata de um valor pequeno, mas de metade daquilo que a companhia vai pagar pelo grupo, o que faz com que este seja um momento bastante delicado da transação. Assim, para evitar herdar essa dor de cabeça, a Foxxcon decidiu segurar um pouco a caneta — ainda que a Sharp já esteja gritando aos quatro ventos que foi vendida.

Sharp

De qualquer forma, se a compra for realmente finalizada, a Foxconn vai passar a controlar 65,9% da Sharp. De acordo com seu presidente, Terry Gou, essa aquisição é algo que a companhia esteve negociando há pelo menos quatro anos. Tanto que o próprio valor final foi aumentado várias vezes ao longo desse tempo, indo de US$ 5,1 bilhões para os US$ 6,24 bilhões que fecharam o acordo. E nem mesmo o mau momento da Sharp parece ter afastado a Foxconn. Apesar das grandes perdas da marca japonesa, Gou explica que a ideia é fazer uma série de investimentos para recuperar a companhia a ponto de transformá-la na maior fornecedora de telas para smartphones, competindo inclusive com a Samsung, líder desse mercado.

E é exatamente isso que torna toda essa transação muito interessante. Para a Apple, isso seria uma conquista imensa, pois ela veria sua principal parceira se fortalecer e passando a oferecer os componentes que ela ainda dependia da Samsung, sua principal concorrente. No entanto, para que esse cenário aconteça como a Maçã espera, o impasse oriental precisa ser resolvido em breve. E não se trata apenas da questão das possíveis dívidas acumuladas da Sharp, mas do próprio governo japonês, que ainda precisa aprovar a compra. Isso depende da regulação nipônica, mas há quem diga que há uma grande má vontade em relação a isso, já que muita gente defende que a Sharp é uma marca tradicional japonesa e que não deve ser controlada por estrangeiros.

De qualquer forma, é uma novela que está apenas começando.

Via: Engadget, The Verge, Wall Street Journal

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