Setor de TI do Brasil ainda tem pouca presença no mercado internacional

Por Redação | 17 de Setembro de 2015 às 12h00

De acordo com Roberto Mayer, presidente da Federação Ibero-Americana das Entidades de Tecnologia da Informação e Comunicação (Aleti), o setor de tecnologia da informação e comunicação brasileiro (TIC) está carente de políticas públicas específicas que visem seu fortalecimento. Como sétimo maior mercado de tecnologia do mundo, o Brasil consegue atrair diversas empresas de todo o mundo, mas encontra dificuldades para aumentar suas exportações.

"O mercado internacional não reconhece a gente como produtor de tecnologia de alto nível na área de TI", afirma José Henrique Barreiro, coordenador de Serviços e Programas de Computador da Secretaria de Políticas de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. De acordo com Barreiro, o país exporta cerca de quatro a cinco vezes mais em serviços de TI e softwares do que em hardware. "A área de software é uma competência nossa", afirma.

Para o presidente da Aleti, que também dirige a Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional), embora o Brasil seja pujante no mercado de TI, não tem, a seu ver, uma política capaz de mudar o baixo quadro de exportações. "Tivemos iniciativas de apoio, a mais recente talvez tenha sido o TI Maior, mas elas são tímidas quando se compara com iniciativas dos nossos vizinhos", disse Mayer fazendo referência ao Programa Estratégico de Software e Serviços de TI, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Segundo a IDC, os investimentos em TIC na América Latina crescerão este ano cerca de 5,7%. Apesar do número ser bom, em relação aos países vizinhos, o Brasil está estacionado, avalia Mayer.

Embora o número de empresas da área de TI com algum tipo de exportação corresponda a 17% do total, as companhias que exportam representam um percentual pequeno, em média de 3%, em comparação à receita, de acordo com o Censo do Setor de Tecnologia da Aleti.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação está realizando uma avaliação do Programa TI Maior para averiguar o que pode ser ajustado e outros órgãos do governo participarão na discussão. A conclusão da análise está prevista para o mês de dezembro e deverá resultar em um novo programa, de acordo com José Henrique Barreiro.

Outro fator de influencia no desempenho do Brasil na área de TIC é a falta de capital humano especializado. Mayer, da Aleti, diz que a expansão que ocorreu nos últimos anos na área de tecnologia não foi acompanhada pela capacitação ou mesmo pela formação de capital humano. "Em todos os países onde ocorreu essa explosão, você tem falta de recursos humanos", analisa.

Com esse cenário, acaba-se contratando serviços de tecnologia em outros países para dar conta da demanda. De acordo com Barreiro, há forte evasão nas universidades e falta pessoal de nível técnico, como programadores. Para ajudar a traçar novos rumos para o setor, temas como desenvolvimento na área, recursos humanos, educação e investimentos começaram a ser discutidos no Rio Info 2015, principal evento de tecnologia da informação e negócio do Brasil.

Via Agência Brasil

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2015-09/setor-de-tecnologia-da-informacao-ainda-tem-pouca-presenca-no-mercadohttp://www.bitmag.com.br/2015/09/brasil-se-esforca-para-aumentar-exportacoes-de-ti/

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