Setor de semicondutores prevê desemprego e volta do mercado cinza

Por Redação | 09 de Setembro de 2015 às 14h47

A Abisemi, Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores, fez uma avaliação do mercado do setor no país. O resultado mostrou que o fim do incentivo para a compra de smartphones, tablets e computadores, anunciado na semana passada pelo governo, pode prejudicar de maneira significativa o mercado de eletrônicos.

A pesquisa afirma que o setor será afetado com a queda de empregos, competitividade da indústria local, além de aumentar o retorno do mercado cinza. A medida ainda deve prejudicar a continuidade dos projetos de inclusão digital que são feitos no Brasil.

A associação diz que o encolhimento do PIB, juros crescentes e a elevação natural de preços vai diminuir ainda mais o consumo dos produtos eletrônicos, computadores, smartphones e tablets, principalmente em relação à instabilidade cambial.

"Por outro lado, este cenário tende a elevar o já altíssimo déficit na balança comercial do País, que atingiu US$ 6 bilhões em 2013 apenas com relação à importação de componentes semicondutores, e que chegou a US$ 36,3 bilhões no conjunto da indústria eletroeletrônica", comenta Rogério Jacomini Nunes, presidente da Abisemi.

A Medida Provisória 690 foi editada na semana passada pelo governo, suspendendo a isenção do PIS/Cofins incidente na compra de equipamentos de microeletrônica, como tablets, smartphones e computadores. A Abisemi diz que a Lei do Bem criou um ambiente propício para o investimento e para o desenvolvimento da indústria local e que, hoje em dia, já existem empresas brasileiras investindo fortemente tanto no desenvolvimento quanto na produção de semicondutores de alta tecnologia. Nunes afirma que, no entanto, "o esforço está sendo colocado em risco pelo Governo Federal".

A Abisemi tem como maior preocupação a velocidade na qual o governo altera as regras e princípios que foram construídos ao longo de vários anos. Em nota, a direção da entidade diz que em qualquer mercado com investimento necessita de normas claras e previsibilidade. "Caso contrário, a cadeia produtiva se enfraquece e prejudica sobremaneira a segurança (e, por tabela, a atratividade) para novos investimentos no Brasil", afirma.

Para evitar todos esses prejuízos, a associação diz considerar de extrema importância que o governo reverta a decisão de extinguir, ou ao menos diminuir, os benefícios relacionados ao setor de TI e microeletrônica que são estabelecidos pela Lei do Bem.

"Defendemos também que qualquer mudança nas regras tributárias do setor de informática e de microeletrônica somente ocorra após ampla discussão junto aos diferentes segmentos envolvidos, com vistas à preservação da indústria, dos empregos por ela gerados e dos avanços muitíssimo significativos obtidos com políticas positivas levadas a efeito nos últimos anos", finaliza o comunicado.

Fonte: Mobile Time, Convergência Digital

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