Sete em cada dez brasileiros desejam mais flexibilidade no trabalho

Por Redação | 11 de Maio de 2016 às 18h40

Uma pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que sete em cada dez brasileiros gostariam de ter flexibilidade de horário no trabalho. O relatório, que contou com 2.002 entrevistados em 140 municípios brasileiros, mostra que 38% dos profissionais com emprego formal possuem flexibilidade de horário de entrada e saída. Já entere os que realizam atividades informais, esse número sobe para 76%.

O home office ou locais alternativos são o desejo de 73% dos entrevistados. Além disso, 53% gostariam de dividir as férias em mais períodos; 58% gostariam de reduzir o horário do almoço para saírem mais cedo; 63% gostariam de trabalhar mais horas por dia em troca de folgas semanais — por exemplo, trabalhar 10 horas ou 9 horas por dia e folgar ou trabalhar meio período na sexta; e 62% gostariam de receber o vale-transporte em dinheiro.

Quando questionados sobre a crise, 43% dos entrevistados realizariam acordos de redução de jornada e salário para manutenção do emprego, caso necessário, contra 54% que não aceitariam essas propostas.

O desejo da flexibilidade da carga horária dos profissionais brasileiros pode estar ligado à busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional. "A qualidade de vida das pessoas está em alinhar o trabalho com a vida pessoal, trazendo realização nos dois âmbitos", afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) José Roberto Marques.

Segundo Marques, as pessoas buscam tempo para resolver questões pessoais, fazer atividades físicas, cuidar da alimentação, ampliar seus relacionamentos, aprimorar seus conhecimentos (estudos), e até mesmo empreender. "Há aqueles profissionais que possuem um emprego formal, mas buscam uma renda extra, e a flexibilidade de horário contribui para a realização dessa atividade", explica.

Flexibilidade vs Produtividade

A grande preocupação das empresas em oferecer flexibilidade de horário e local de trabalho está na manutenção da produtividade. "O brasileiro trabalha mais horas que o americano e produz seis vezes menos, segundo uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho, o que pode gerar desconforto para as empresas quando se fala em flexibilidade", afirma Marques.

Por outro lado, o executivo acredita que implementando uma cultura de alta performance, com foco e comprometimento dos profissionais, pode-se, sim, realizar acordos de flexibilidade quanto ao local e horários de trabalho. "O profissional deve enxergar isso como um benefício, e se valer de suas atribuições para conquistá-lo. Estar focado 100% no desempenho de suas funções durante a jornada de trabalho é muito importante".

Os acordos de redução de jornada, flexibilidade de horário e diluição de férias devem ser realizados diretamente com o líder e repassados ao departamento de Recursos Humanos. Nesse sentido, o líder é peça fundamental para que isso ocorra ou não. Ele deve estar ciente de todas as atividades realizadas pelos profissionais, bem como dos resultados esperados pela organização.

"Líderes com habilidades de Coaching se destacam porque, além de conhecer os diferentes perfis comportamentais presentes no ambiente corporativo, também entendem que os tempos mudaram, ou seja, que é preciso acompanhar as novas gerações de profissionais e buscar conciliar o modelo tradicional com um mais flexível e atual", ressalta Marques.

Vale lembrar que algumas questões como estas esbarram em leis trabalhistas, o que deve ser visto com cuidado com o departamento de Recursos Humanos. Além disso, algumas organizações não permitem esse tipo de flexibilidade por motivos de turnos e atividades desempenhadas.

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