Samsung está resistindo em indenizar usuários prejudicados pelo Note7

Por Sérgio Oliveira | 19 de Outubro de 2016 às 11h33

Mesmo uma semana depois de a Samsung confirmar que o Galaxy Note7 está morto e enterrado, o phablet problemático ainda vem rendendo polêmicas. Desta vez, usuários estão criticando a empresa por ela não estar lhes compensando pelos danos sofridos pelas explosões do aparelho.

Inúmeros relatos de que o aparelho estava superaquecendo, pegando fogo e incendiando carros, móveis, cortinas e causando queimaduras nos usuários forçaram a fabricante sul-coreana a anunciar dois recalls para corrigir o problema. A ação, contudo, foi malsucedida e, na última terça-feira (11), a Samsung jogou a toalha, anunciando que descontinuaria definitivamente o Galaxy Note7.

Diante disso tudo, era mais do que esperado que as vítimas do smartphone pedissem indenização para cobrir os danos causados por ele. E o mínimo que a Samsung poderia fazer seria pagar o valor pedido, sem chiar nem contestar. Mas não é exatamente isso o que vem acontecendo.

Casos nos Estados Unidos

Pelo menos três antigos proprietários do Galaxy Note7 alegaram que a Samsung não está se esforçando para cobrir os danos que eles sofreram. John Barwick, da cidade de Marion, no estado norte-americano de Illinois, é um dos que vêm se queixando da atitude da empresa. Acamado desde o dia 8 de setembro, quando o Note7 de sua esposa explodiu na cabeceira da cama enquanto eles dormiam, ele diz que por várias vezes tentou contatar a Samsung e recebeu uma negativa da seguradora da companhia.

"Eles me disseram que não iriam arcar com nenhum custo e não pagariam por nenhum móvel danificado. Pedimos para que trocassem nosso carpete e que pagassem pelos lençóis estragados. Até enviamos fotos", contou a vítima ao Guardian. Ao invés disso, a Samsung disse que pagaria um valor irrisório para cobrir o estrago, dando a impressão de que a única preocupação da empresa era reaver o aparelho defeituoso.

O caso de Wesley Hartzog, morador da Carolina do Sul, foi ainda mais grave. Em seu relato, ele diz que o Galaxy Note7 que estava carregando na garagem explodiu e incendiou todo o local. Além disso, o carro, a motocicleta, o cortador de gramas, bicicletas e uma poltrona foram danificados. Diante do acontecido, ele diz que teve de deixar sua casa por vários dias e arcar com hospedagem em hotéis enquanto os reparos em sua residência são feitos.

Ao contatar a Samsung, Hartzog diz que um funcionário prometeu que iria conseguir acomodar ele e toda a família em um hotel e pagar por suas refeições. "No dia seguinte, a seguradora da Samsung nos ligou e disse que não ia ser possível fazer aquilo. Foi uma atitude pouquíssimo profissional", reclamou.

O incidente recentemente completou um mês e a vítima ainda está tentando negociar com a fabricante sul-coreana. "Pensei que eles seriam mais solícitos e iriam pelo menos me ajudar a voltar logo para casa", lamentou ao jornal.

Shawn Minter, de Richmond, Virgínia, também diz estar cansado das promessas vazias e inércia da companhia para solucionar seu caso. Assim como aconteceu com Barwick, Minter foi acordado no meio da noite com o telefone pegando fogo e explodindo como se fosse fogos de artifício. Depois disso, o aparelho começou a "queimar, chiar e derreter".

Até o momento, todas as tentativas de Minter solucionar o problema com a Samsung e sua seguradora foram frustradas. "Eles nunca fizeram nada" e "sumiram depois que entreguei o telefone à CPSC [comissão de proteção ao consumidor]".

Despreparo

Para Jonathan Bernstein, especialista em gestão de crises, todos os casos escancaram o despreparo da empresa para lidar com esse tipo de coisa. "A gestão de crises da Samsung tem tantos defeitos quanto seu produto", disse ao Guardian. Para ele, a atitude da empresa deveria ser completamente diferente, principalmente porque ela não está lidando apenas com um produto defeituoso, mas sim com algo que pode pôr em risco a saúde e segurança das pessoas. "Eles têm de fazer o que é certo", finalizou o especialista.

Fonte: The Guardian

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