Relatório da Huawei de avanço das TICs coloca Brasil como 26º em ranking global

Por Rafael Romer | 22.04.2015 às 07:42

*De Shenzhen, Guangdong, China

A Huawei revelou nesta terça-feira (21) a segunda edição de sua pesquisa Global Connectivity Index (GCI), que avalia o índice de investimentos nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) em 50 países do mundo, assim como suas vantagens e desafios para enfrentar a transformação econômica trazida por tendências como nuvem, Big Data e mobilidade. Juntos, os países avaliados representam 78% da população mundial e cerca de 90% do PIB global.

Esta é a segunda edição do CGI realizada pela Huawei e foi apresentada durante o primeiro dia do 12º Global Analyst Summit da empresa, realizado na cidade de Shenzhen, na província chinesa de Guangdong.

No índice, o Brasil ficou na 26ª posição dentre os 50 países avaliados, com um índice de 44 pontos. Para chegar à marca, a empresa avaliou 38 indicadores e o quanto cada país está avançado nos cinco pontos considerados "habilitadores da transformação": o uso de serviços de nuvem, adoção da Internet das Coisa (IoT), uso do Big Data, penetração da banda larga e infraestrutura de Data Centers.

A posição do Brasil está alinhada com outros países do grupo dos BRICs, como China e Rússia, respectivamente os 23º e 25º no índice, que representam economias em desenvolvimento que estão ampliando a adoção de TICs para avançar o Produto Interno Bruto. De acordo com o levantamento da Huawei, a cada 20% de aumento de investimentos em um país nas TICs, o PIB dele avança em 1%.

Como ponto positivo brasileiro, o levantamento destacou o avanço de programas nacionais de ampliação da banda larga e a boa penetração de banda larga móvel, que já atinge 37,6% da população. A boa penetração de smartphones, que já está em mais da metade da população (54%), também é um fator positivo para o Brasil.

Segundo o índice, hoje o país também já investe 5,2% do PIB nas chamadas TICs, considerado um dos índices mais agressivos observados no levantamento - à frente até de economias maduras como Coréia do Sul e Cingapura. O índice de investimento em TICs per capita, por exemplo, também é o maior entre os países em desenvolvimento.

"No investimento do PIB per capita, quando comparado ao crescimento do Brasil versus outros países, o Brasil está avançado", avaliou a analista do relatório, Ching Foong Ling, durante a apresentação do documento. "Também por causa do ano passado, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, nós pudemos ver um aumento muito grande de investimentos em TICs".

Huawei pesquisa

Resultados da pesquisa foram apresentados durante Global Analyst Summit da Huawei, em Shenzhen (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Por outro lado, o GCI aponta que o Brasil ainda sofre muito com problemas como a burocracia e os altos impostos, o que impedem o avanço do setor de tecnologia no país. Além disso, a baixa qualidade do sistema educacional também atrasa a qualidade da mão-de-obra nacional no setor e do serviço a clientes, o que atravanca o avanço nacional.

Apesar de ser a maior economia da região, o Brasil fica atrás do Chile, que é líder dos chamados países em desenvolvimento e ocupou a 20º posição no índice total, segundo a pesquisa da Huawei. Entre os pontos de destaque da nação sul-americana estão o setor bem regulamentado de Telecom e a economia amigável ao investimento externo. O Chile, por exemplo, fica à frente da média mundial no uso de Big Data, na adoção de data centers e de banda larga - o Brasil não fica acima da média mundial em nenhum dos cinco setores avaliados.

Ainda assim, o relatório vê com bons olhos a posição do Brasil. O país é colocado ao lado de mercados como China e Indonésia entre os que verão transformações digitais mais rápidas que economias maduras devido aos altos índices de investimento em TICs.

O Brasil cai no grupo intermediário da pesquisa, os chamados "seguidores" da tendência de avanço digital, atrás dos "líderes", mas à frente dos países "iniciantes". Liderando o índice estão os Estados Unidos, Suécia e Cingapura.

*O repórter viajou a Shenzhen a convite da Huawei