Recuperação da Oi e fusão com Alcatel-Lucent derrubam lucros da Nokia

Por Redação | 04 de Agosto de 2016 às 17h35

Problemas internacionais, que envolvem inclusive o Brasil, foram responsáveis por uma queda acima do esperado nos lucros da Nokia. No segundo trimestre de 2016, a empresa finlandesa apresentou ganhos de US$ 370 milhões, queda de 49% em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior, e abaixo das previsões de analistas e do mercado.

A queda nos gastos globais com redes foi citada como o grande fator para essa redução. Nesse sentido, a Nokia falou diretamente de duas questões: a crise da operadora brasileira Oi, que abriu pedido de recuperação judicial em junho e foi responsável por uma queda na parcela do mercado de redes possuído pela Nokia, que tem apenas 6% de participação nesse setor.

Os gastos com a vindoura fusão entre a companhia e a Alcatel-Lucent foram o segundo grande pilar dessa redução. Para a Nokia, por mais que esteja trabalhando em redução de gastos, os trabalhos para união das empresas estão fazendo de 2016 um ano de transição. Sendo assim, a queda nos lucros já era de se esperar, e vem lado a lado com uma redução nos gastos gerais em redes e telecomunicações no mundo.

Entretanto, quando o processo se encerrar, a fabricante espera estar mais forte do que nunca. A união com a Alcatel-Lucent criará uma verdadeira potência do setor. A estratégia é vista como o melhor caminho para bater de frente com outras empresas igualmente grandes, como a Ericsson e a Huawei. O foco é em 2020, para quando é esperado um novo ciclo de atualizações de infraestrutura por parte das operadoras de telefonia e redes em todo o mundo.

Até lá, entretanto, a palavra de ordem é economizar. O processo de enxugamento das despesas envolverá, até 2018, na economia de US$ 1,34 bilhões, principalmente depois que o processo de fusão for completado. Demissões também estariam previstas nas fábricas e escritórios da empresa por todo o mundo, mas ela não fala especificamente em números — centrais sindicais esperam cerca de 15 mil dispensas, com impacto variado de acordo com a região.

As notícias negativas levaram a uma queda de 3,2% nas ações da Nokia nesta quinta-feira (4). A empresa pede calma aos investidores e afirma que, por mais que a expectativa ainda seja de perdas até o final do ano, o mercado de telecomunicações deve se aquecer ao longo dos próximos meses, aumentando as margens e garantindo bons totais para o futuro.

Fonte: Reuters

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