Rappi acusa iFood de práticas anticompetitivas e abre processo no Cade

Por Ramon de Souza | 11 de Novembro de 2020 às 22h06
Divulgação/iFood

O Rappi, aplicativo de origem colombiana, acaba de registrar um processo contra a plataforma brasileira iFood alegando que esta estaria adotando práticas anticompetitivas para sufocar a concorrência. A notificação foi registrada junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e, por enquanto, segue tramitando em sigilo; maiores detalhes devem ser divulgados em breve após os documentos se tornarem públicos.

Segundo o Rappi, o problema estaria nos contratos de exclusividade firmados entre o iFood e grandes restaurantes; esses acordos teriam altas taxas de rescisão e durações prolongadas, o que impede que os estabelecimentos negociem parcerias com outras plataformas similares. Isso, atrelado ao fato de que o iFood é líder no segmento no Brasil, dificultaria bastante a entrada de outras startups no mercado.

Vale ressaltar que o fechamento de contratos de exclusividade, por si só, não é uma prática abusiva, sendo uma estratégia perfeitamente comum em vários setores da economia. Porém, quando eles são utilizados em um segmento monopolizado para favorecer a empresa que já possui uma fatia grande do mercado, a tendência é que os órgãos antitruste entendam que se trata de uma ferramenta para sufocar a competição.

Trata-se de uma discussão relevante, especialmente se levarmos em conta que o mercado de delivery vislumbrou uma alta histórica desde o início da pandemia da COVID-19 — com os bloqueios, muitos passaram a solicitar entrega de alimentos e até mesmo itens básicos de sobrevivência. Ao Exame, a Rappi afirmou que não vai se pronunciar sobre o processo por enquanto; o Canaltech entrou em contato com o iFood; esta matéria será atualizada assim que a companhia nos enviar seu posicionamento.

Fonte: Exame

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