Quase metade das empresas estão expostas ao risco de corrupção

Por Redação | 31 de Agosto de 2016 às 21h50
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Um relatório da empresa de consultoria ICTS Protiviti mostra que as companhias ainda precisam evoluir suas soluções de segurança contra corrupção. Prova disso é que 48% das entidades ainda não adotaram métodos corretos para prevenir atos corruptos e evitar penalizações. Desse total, apenas 3% utilizam um bom conjunto de ações de programas voltados para esse objetivo.

Foram pesquisadas 642 corporações. De acordo com o levantamento, os números apresentam uma situação alarmante por parte das companhias quanto às atuais medidas tomadas para sanar os riscos associados à corrupção, condutas antiéticas, fraudes e outras falhas de conformidade. Programas incipientes expõem a riscos como o fechamento da empresa, perda de clientes, restrição de acesso a crédito, danos reputacionais junto a fornecedores e clientes, gastos com multas, punições e com advogados de defesa, sem contar os prejuízos financeiros alavancados pelas fraudes, que são responsáveis por uma perda média de 5% do faturamento das empresas.

Na análise deste ano, houve um aumento pelo tema, principalmente entre empresas de até 99 colaboradores. Se comparada à versão realizada em 2015, esta nova amostra foi ampliada em 38% no número de empresas participantes. Dessas, 56% são companhias de até 99 profissionais, 21% contemplam de 100 a 499 funcionários e 23% estão acima de 500.

"Mesmo com a ampla divulgação sobre o tema em função das investigações, acordos e sanções impulsionados pelas operações da Polícia Federal, como Lava Jato e Zelotes, muitas companhias ainda não entraram na rota correta para proteger o seu negócio, a sua reputação e os seus profissionais, e inclusive há aquelas que pagarão para ver até onde conseguirão chegar sem adotar as medidas anticorrupção necessárias", destaca Jefferson Kiyohara, da ICTS Protiviti. "Os benefícios de um programa efetivo vão além do mero atendimento de um requisito legal: há o reforço da cultura organizacional, redução de custos com fraudes e sanções, assim como a atração e retenção de talentos, entre outros", completa.

Outra informação preocupante apresentada na análise relata que 71% das empresas ainda não mapearam seus riscos de exposição à corrupção e 68% não adotam processos de análise de terceiros. E isso tudo mesmo após a promulgação da Lei Anticorrupção do Brasil (Lei Empresa Limpa 12.846/13), que aplica regras administrativas severas a companhias de todos os portes.

Para o especialista, tais dados demonstram que há ainda um caminho a ser percorrido. "Na atual conjuntura, os orçamentos estão limitados. O mapeamento de riscos permite identificar o que é crítico e definir um plano de ação priorizado, otimizando o uso dos recursos da empresa. E mesmo assim não tem sido feito. Se o pagamento de propina for feito por um fornecedor, em benefício da empresa, ambos podem ser penalizados. E mesmo assim, há empresas que não se preocupam em realizar uma pesquisa reputacional do seu fornecedor", afirma.

A situação também é grave entre empresas que mantêm relações comerciais com entes públicos. Do total de companhias analisadas, 70% atendem o setor governamental. Dessas, 67% ainda não mapearam seus riscos de exposição à nova lei e o mesmo número não possui mecanismos de avaliação de terceiros. Os dados apontam uma inadequação, mesmo em processos críticos. “É fundamental conhecer quais são os agentes públicos com quem a empresa interage, quem faz esta interação e como ela é feita” reforça Kiyohara.

Em relação aos elementos mais presentes na análise, 61% das empresas afirmam possuir Código de Ética e Conduta, enquanto 62% disponibilizam um canal de denúncia que permite a apuração de registros anônimos de desvios e violações do Código. Contudo, a ICTS destaca que, mesmo atendendo esses requisitos, não é garantia que as companhias coloquem essas atitudes em prática diariamente.

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