Qualcomm anuncia onda de demissões para reduzir custos de operação

Por Felipe Demartini | 19 de Abril de 2018 às 11h47
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A Qualcomm anunciou nesta quinta-feira (19) que vai cortar 1.500 postos de trabalho em suas unidades globais. Os setores atingidos não foram especificados, mas a maioria das demissões deve acontecer no estado americano da Califórnia, onde está a base de operações da fabricante de chips. A expectativa é que o movimento gere uma economia de US$ 1 bilhão.

No comunicado em que anunciou a onda de demissões, a Qualcomm foi breve, afirmando que as dispensas têm a ver com a necessidade de redução nos custos de operação, de forma a garantir sustentabilidade no longo prazo. Citando benefícios a acionistas e investidores, a empresa disse que a decisão veio como única alternativa após uma análise de outras medidas de redução de despesas que não envolveriam cortes.

A falta de detalhes e poucas palavras do relatório, claro, abriram margem para diferentes especulações sobre os motivos por trás dos cortes. E a principal análise está relacionada aos problemas com a Apple, que estariam levando a dona do iPhone a, inclusive, cortar a lucrativa relação de anos com a Qualcomm para uso de modens e outras tecnologias no smartphone.

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Esse divórcio estaria relacionado a processos judiciais de diferentes categorias. De um lado, a Qualcomm afirma que a Apple apenas utiliza de maneira indevida algumas de suas tecnologias em seus smartphones, chegando a solicitar, sem sucesso, um banimento na importação dos modelos mais recentes de iPhone, às vésperas da chegada de uma nova linha no fim do ano passado.

Enquanto isso, a Maçã atacou com um processo em que acusa a fabricante de não ter pago mais de US$ 1 bilhão em devoluções relacionadas a uma investigação realizada pelo governo da Coreia do Sul. Além disso, ordenou que seus fornecedores não mais pagassem royalties à Qualcomm enquanto, também na justiça, pede uma revisão dos valores pagos por essa utilização, que seriam altos demais – uma tentativa de minar a operação de empresas como a Apple, que não utilizam os processadores Snapdragon como peça central de suas soluções.

Além disso, a fogueira dos rumores também leva em conta a disputa com a Broadcom, que tenta fazer uma aquisição hostil da Qualcomm. O negócio criaria a terceira maior fabricante de chips do mundo, mas teria caído por terra diante de desafios regulatórios e, principalmente, após a exibição de preocupação por autoridades antitruste.

Com tudo isso, nos últimos meses a Qualcomm vem apresentando números abaixo do esperado, com vendas em queda desde 2015 e uma projeção de redução controlada, na casa dos 3%, para o ano fiscal 2018.

Hoje, a fabricante emprega quase 34 mil pessoas em unidades espalhadas por todo o mundo, mas o anúncio de cortes é o primeiro em sua história recente. As demissões estariam acontecendo desde esta quarta-feira (18), a começar pela sede da companhia, em San Diego. Essa informação, porém, não foi confirmada.

Fonte: Business Insider, Bloomberg

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