Qualcomm acredita em acordo na disputa judicial contra a Apple

Por Redação | 18.07.2017 às 13:15

Após meses de declarações inflamadas e disputas judiciais intensas contra a Apple, a Qualcomm parece estar abrandando um pouco os ânimos. Pelo menos, é isso que dá para concluir pela afirmação de Steve Mollenkopf, CEO da fabricante, que disse acreditar que todo o gigantesco processo relacionado a patentes de tecnologias móveis deve ser resolvido com um acordo.

Ele cita casos da história da Qualcomm, e também da indústria de tecnologia em si, para sustentar sua afirmação. Por mais que ainda não vislumbre esse tipo de resolução no caso da empresa contra a Apple, o executivo acredita que os acordos fora dos tribunais sempre são o caminho para disputas desse tamanho, uma vez que a continuidade do litígio não é favorável para nenhuma das partes envolvidas.

Sendo assim, afirma Mollenkopf, não existe nenhuma razão para acreditar que esse não será o caso aqui. A máxima pode ser considerada verdadeira principalmente depois que juízes envolvidos com a ação pediram que as empresas conversassem para chegarem a um acordo em um processo que aumenta cada vez mais na medida em que a Apple se defende e a Qualcomm adiciona mais e mais evidências, aumentando a quantidade de documentos a serem analisados e a complexidade de toda a situação.

No centro da questão estão tecnologias presentes no iPhone e no iPad. A fabricante de chips diz que a Maçã utilizou tecnologias proprietárias em seus aparelhos móveis sem a autorização ou devido pagamento de royalties. Inicialmente, seis patentes teriam sido quebradas pela rival, mas com o tempo, mais e mais categorias foram sendo adicionadas ao processo.

Em resposta, a Apple disse que as tecnologias cuja quebra foi alegada não constituem parcela essencial de sua oferta mobile, e sendo assim, os pedidos de compensação e royalties seriam absurdos. A Maçã disse ainda ter tentando negociar e acusou a Qualcomm de abusar de sua posição de fabricante de chips, preferindo seguir pelas vias da justiça em vez de admitir sua posição periférica no caso dos iPhones e iPads.

O que se seguiu foi uma verdadeira Guerra Fria entre as companhias. A Apple interrompeu completamente o pagamento de royalties relacionados às tecnologias da Qualcomm, depositando os valores em um fundo dedicado a isso até que as negociações sejam realizadas. Além disso, acusou a rival de estar tentando prejudicar sua oferta de celulares e tablets em detrimento de concorrentes que possuem as soluções da fabricante como o centro de seu funcionamento.

Em resposta, a Qualcomm disse que a interrupção no pagamento dos royalties vendidos serve a interesses escusos e seriam uma tentativa de abalar seu faturamento, como forma de forçar a companhia a abandonar o processo na justiça. Ela, entretanto, disse estar preparada para uma longa batalha, com mais e mais patentes supostamente infringidas sendo adicionadas ao processo.

Além de pedir o pagamento do montante devido e compensações devido ao uso irregular de tecnologia, a Qualcomm solicitou à corte que impeça a importação de iPhones da China, onde eles são fabricados, para os Estados Unidos. O pedido, se aceito pela Federação de Comércio dos EUA, pode servir como um duro golpe para a Apple, principalmente com a aproximação do lançamento de uma nova geração dos smartphones da marca.

Por enquanto, nada de confirmação oficial, e um acordo, muito menos. A Apple não se pronunciou sobre as declarações da Qualcomm e a própria empresa não foi além dos comentários feitos pelo CEO. Enquanto não chegam a uma concordância fora dos tribunais, a disputa segue nos tribunais.

Fonte: Fortune