Qual o papel de um líder de TI na “nova realidade”?

Por Marco Santos | 11 de Setembro de 2020 às 10h00
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O novo estágio do combate à pandemia, com diversos países flexibilizando as suas políticas de isolamento, fez com que uma parte das empresas retornassem às atividades presenciais, em determinados dias da semana, na tentativa de começar a entender como será a vida corporativa daqui para frente. Não acredito que voltaremos à nossa antiga “normalidade”, mas sim que precisamos nos readptar aos novos modelos de negócios que foram criados durante o isolamento, principalmente em relação à nova forma de liderar.

Mais do que nunca, as nossas atividades ficaram mais dependentes da tecnologia, de ferramentas de comunicação e de cadeias de suprimentos conectadas. Percebeu-se o quanto mais rápido e produtivo podemos trabalhar com equipes multidisciplinares se seguirmos estratégias de metodologias ágeis, por exemplo. Para que toda essa orquestra funcione, há um papel primordial: o do líder, uma figura capaz de guiar e inspirar toda a equipe em períodos conflituosos como esses tempos em que estamos vivendo.

Neste momento em que a área de tecnologia – em todas as suas vertentes – sofreu grande impacto, com o aumento da demanda de trabalho para que outros setores da economia potencializassem seus negócios de todos os portes, a boa liderança é essencial para garantir a união da equipe, a qualidade das entregas e o bem-estar de todos.

Recentemente, li um artigo do Marian Temmen, especialista em transformação de negócios em liderança, em que ele listava 6 orientações para os gestores diante desta nova realidade. Dois requisitos tornaram-se essenciais para este novo momento: a compaixão e a inteligência emocional. Para ele, hoje não há espaço para uma gestão baseada em ego, opinião desinformada e ausência de bom senso.

O que esperar do “novo” líder?

Uma das dicas de Temmen é ter paixão pelo trabalho que você desempenha. Quando você é motivado pelo que você faz, certamente inspira sua equipe e as pessoas ao seu redor. Segundo uma pesquisa da Gallup, empresa de pesquisa de opinião dos Estados Unidos, o líder tem influência de até 70% em relação ao engajamento dos colaboradores com o negócio.

Outro ponto extremamente importante é a persistência, ter coragem para seguir com os objetivos e metas que foram propostos mesmo diante de dificuldades e obstáculos que enfrentamos no meio do caminho. Quem poderia imaginar que um novo vírus fizesse economias globais pararem e se reinventarem em apenas alguns meses?

Uma característica essencial, levantado pelo especialista, é ter um pensamento sistêmico, e como os colaboradores encaixam-se em seus departamentos e onde eles se sobrepõem para o trabalho em equipe. Temmen acredita que “uma empresa é mais do que seus produtos e pessoas; a interconexão entre eles ajuda o negócio a prosperar”. Por isso que é tão importante trabalhar o potencial de cada membro da equipe, sem ser um gestor que dá ordens: é necessário ouvir, ser honesto e humilde para entender as necessidades da sua equipe.

À medida que as equipes se tornam mais complexas e conectadas é importante confiar na colaboração de todos para fazer os sistemas de negócios funcionarem. Isso implica em trabalhar com empatia, ou seja, as equipes precisarão ter cada vez mais líderes gentis, humanos e que entendam as situações e sentimentos dos outros.

E, nós, brasileiros, estamos bem distantes disso, de acordo com uma pesquisa da Universidade Estadual de Michigan (EUA), ocupando o 51º lugar entre os países mais empáticos do mundo (sendo que apenas 63 países foram analisados).

Os líderes precisam compreender cada vez mais que por trás das equipes e de grandes projetos de inovações há pessoas com culturas diferentes, comportamentos distintos e que necessitam de tolerância, colaboração e respeito.

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