Presidente da Sony enfrenta duras críticas de ex-executivos da empresa

Por Redação | 24 de Abril de 2015 às 12h10

Alguns ex-executivos do alto escalão da Sony Corporation criticaram duramente o presidente executivo da empresa, Kazuo Hirai, acusando-o de deixar a inovação de lado para pensar apenas em redução de custos.

Nesta quinta-feira (23), cinco ex-executivos se reuniram na sede da Sony em Tóquio para dizer que Hirai é o culpado por não incentivar os colaboradores da empresa a usarem sua criatividade para ajudar a produzir aparelhos icônicos, como o Walkman. De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, um dos executivos presentes na reunião era Ken Kutaragi, o criador do PlayStation.

"A Sony é como um navio que zarpou na tempestade dos negócios eletrônicos, liderado por um capitão que está usando um mapa náutico falho", escreveu Tamotsu Iba, ex-CFO e vice-presidente da Sony, em uma carta enviada aos membros do conselho e de gestão que tomaram a frente da reunião. "Ele não tem a sensibilidade ou intelecto para perceber que está errado. Os membros do conselho, que devem estar à postos para supervisionar o capitão, não perceberam? Eles estão tolerando isso, não estão dispostos a cobrar isso?", completou.

A carta de Iba não pediu diretamente a remoção de Hirai, mas certamente questionou suas habilidades como CEO e exigiu a contratação de mais engenheiros e a nomeação de menos pessoas de fora para o conselho administrativo.

Essa dura crítica feita nos bastidores da empresa pelos chamados "old boys", como são conhecidas no Japão as pessoas que possuem influência mesmo após a aposentadoria, representa um novo teste para Hirai.

No início do ano, especialistas disseram que parcerias e mudanças drásticas nas estruturas de fabricação e lançamento de produtos seriam as melhores alternativas para a Sony retomar o sucesso do passado. Tradicionalmente, Hirai é avesso a medidas drásticas, principalmente quando elas interferem com negócios antigos da empresa.

No ano passado, os ânimos ficaram acirrados no conselho de investidores da japonesa. Na ocasião, alguns investidores chegaram a pressionar Hirai em busca de respostas para as perdas recorrentes do setor de eletrônicos e entretenimento. Intimidado, Hirai prometeu estancar o vazamento de dinheiro de uma vez por todas e se desculpou por ter sido negligente e não ter tomado uma atitude mais enérgica.

Agora, o movimento dos "old boys" ameaça minar a força do presidente em meio a uma tentativa de Hirai mostrar aos investidores e funcionários que pode fazer a Sony crescer novamente após a reestruturação que cortou cerca de 15.000 postos de trabalho.

Qual é o poder dos "old boys"?

No Japão, ex-executivos de grandes empresas podem exercer muita influência mesmo após deixar seus cargos. No caso da Sony, ex-executivos da companhia tiveram um papel importante na saída do antecessor de Hirai, Howard Stringer. Na montadora Honda Motor Company, Takanobu Ito deixou o cargo de CEO em fevereiro de 2015 após receber críticas de dois ex-CEOs em relação à forma como ele lidava com problemas de qualidade dos produtos.

Desde que assumiu a cadeira de CEO em 2012, Hirai precisou cortar as previsões de ganhos seis vezes e, enquanto a japonesa comemorou a alta de 4% na receita operacional de vendas e a duplicação do lucro líquido no terceiro trimestre fiscal de 2014, ela ainda espera uma perda líquida de bilhões de ienes. Ainda assim, ele começou a ganhar a confiança dos investidores com as ações da Sony atingindo a maior alta dos últimos sete anos nesta quinta-feira (23).

Fontes disseram à agência de notícias Reuters que Tamotsu Iba e seus aliados que possuem ações da Sony provavelmente não possuem uma participação grande o suficiente para votar e colocar Hirai para fora, ou então convocar uma reunião com os demais acionistas. Eles também não parecem ter nenhum outro candidato a CEO em mente.

Mas fato é que se eles decidirem apelar para os acionistas, podem tentar usar uma recomendação do Institutional Shareholder Services (ISS), uma instituição que visa promover a boa governança corporativa e recomenda aos investidores de empresas japonesas votar contra uma gestão que não consegue atingir um retorno sobre o patrimônio líquido de pelo menos 5% em cinco anos.

Fonte: Reuters
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