Pouca confiança em redes atrasa automação do varejo no Brasil, avalia Scansource

Por Rafael Romer | 07 de Abril de 2015 às 14h04

A falta de confiança na infraestrutura de redes brasileiras ainda é um dos motivos que atrasam a adoção de novas tecnologias de automação do varejo do país, avaliou o CTO da distribuidora de tecnologia Scansource, Greg Dixon, em entrevista ao Canaltech.

Citando o exemplo dos pagamentos móveis através de carteiras virtuais, o executivo afirmou que a adoção desse tipo de tecnologia só avançará quando o consumidor vir um valor na tecnologia e, consequentemente, empurrar o varejista a adotá-la. No caso brasileiro, no entanto, esse tipo de solução ainda enfrenta uma barreira antes mesmo disso – o que impede que muitos varejistas enxerguem benefícios da implementação dessas tecnologias.

"Há um custo envolvido na adoção de um novo método de pagamento. E em longo prazo, isso vai atrair mais consumidores para uma loja. Mas brasileiros ainda são mais lentos para acreditar na tecnologia porque não há muita confiança na infraestrutura que a suporta", explicou Dixon.

Em uma comparação com o mercado brasileiro, superados os problemas de infraestrutura, o executivo afirma que varejistas norte-americanos já veem o valor da implementação de tecnologias que promovem mais conveniência e experiências melhores para os consumidores. "Uma melhor experiência se traduz em mais consumidores. Mais consumidores se traduzem em mais lucros. Melhores interações com consumidores se traduzem em uma força de trabalho mais feliz e produtiva", explica.

Para ele, o uso de pagamentos através de carteiras virtuais por mais estabelecimentos e a adoção dos beacons, que permitem enviar conteúdo promocional nos smartphones do consumidores dentro da loja, são exemplos de tecnologias que ganham espaço rapidamente nos Estados Unidos.

Em parte, a adoção mais rápida também se deve ao interesse das próprias fabricantes de dispositivos que permitem o uso destas tecnologias pelo consumidor, como Apple e Samsung, que começam a estimular a adoção de plataformas que abilitem o uso das tecnologias presentes em seus smartphones. "Dispositivos móveis estão tendo o maior impacto atualmente. Verejistas e restaurantes estão vendo o verdadeiro valor na mobilidade, principalmente quando o assunto é engajamento do consumidor", afirmou o executivo.

Do outro lado do balcão, Dixon diz acreditar que muitos consumidores ainda vêem a adoção dessas tecnologias com "cautela", já que as inovações no varejo lidam diretamente com questões como informações pessoais e dados financeiros – que geralmente estão no topo da lista de preocupações dos consumidores.

Na avaliação do CTO, no entanto, uma vez que o valor dessas tecnologias for visto por estes consumidores, mais e mais pessoas deverão aceitar as novas experiências de consumo. "É um risco, alguns early adopters ficarão desapontados, mas o varejo tem que tomar a iniciativa e mostrar que há maneiras mais novas e melhores de se vender e comprar produtos", conclui.

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