Pesquisadores já tentaram desenvolver coração atômico movido a plutônio-238

Por Redação | 09.05.2016 às 15:03

Doenças do coração são a causa de morte número um nos EUA — o número de mortes passa de 600 mil pessoas por ano. Projetar um maneira de substituir esse órgão vital a longo prazo tem sido um desafio e tanto para a medicina.

Ainda em 1967, pesquisadores pensaram ter uma solução perfeita para o problema: eles criaram o projeto do coração atômico, um órgão mecânico artificial alimentado por radiação. Por uma década, equipes de pesquisadores do National Heart Institute (NHI) e da Atomic Energy (AEC) têm tentando conseguir fazer o coração radioativo funcionar. Muitos acreditam que essa seria a única solução viável para substituir corações doentes.

Inicialmente, a fonte alternativa de energia para o coração artificial seriam baterias convencionais, mas existem alguns contratempos: elas podem superaquecer, seria necessário recarregá-las diariamente, e, por fim, a vida útil das baterias iria acabar em torno de dois anos. Já o coração atômico poderia aumentar a expectativa de vida dos pacientes em até 10 anos, sem se preocupar com fontes de energia externa.

A energia nuclear seria provida pelo plutônio-238, um elemento químico radioativo natural que é capaz de emitir calor por quase 100 anos. Esse elemento já é utilizado a algum tempo para alimentar satélites no espaço e instrumentos de navegação. Foi o plutônio-238 que levou a New Horizons até Plutão, a Voyager até o espaço, e é ele que faz a Curiosity se mover pelo solo de Marte. Agora, as duas equipes de pesquisadores querem descobrir como utilizar essa mesma fonte de energia para bombear sangue pelo corpo humano.

Existem muitas dificuldades tecnológicas para tornar isso possível, pois eles precisam desenvolver um tipo de mecanismo para bombear o sangue e que não seja rejeitado pelo corpo humano. Além disso, eles precisam incorporar de maneira segura e eficiente um motor para alimentar a bomba, convertendo calor em energia.

A NHI quer desenvolver um coração artificial parcial, que serviria somente para ajudar um coração doente a continuar batendo. Para isso, primeiro os pesquisadores iriam construir um sistema de bomba nanoatômica seguido por um motor alimentado por energia nuclear. Já a AEC quer construir um órgão inteiro e funcional, onde o sistema de bombeamento atômico aliado ao motor substituíssem completamente um órgão doente a longo prazo.

Após cinco anos de desenvolvimento, as duas equipes ainda têm problemas. O projeto da AEC ainda é ineficiente e o coração da NHI sofre com bugs tecnológicos e superaquecimento por deixar o sangue entupir o sistema de bombeamento. Essas falhas são somente no design, mas os pesquisadores ainda precisam resolver o problema da instalação de um dispositivo atômico dentro do corpo humano e quais efeitos a exposição a radiação pode causar a longo prazo.

Muitos acreditam que um coração atômico pode colocar os pacientes em risco de desenvolver várias doenças, incluindo leucemia. Outras pessoas que convivem ao redor do paciente também poderiam estar em risco de envenenamento por radiação. Existe ainda a preocupação do que poderia ser feito se criminosos tivessem acesso a esse tipo de tecnologia. Devido a tantas dificuldades, após 10 anos de pesquisa, o projeto estagnou.

Atualmente, pesquisadores continuam perseguindo a ideia de criar um coração artificial funcional. Muitas empresa de biotecnologia como a SynCardia, Carmat e AbioCor estão em diferentes estágios de desenvolvimento de um coração mecânico permanente capaz de substituir um coração doente e funcionar pelo resto da vida do paciente.

Atômico ou não, o coração artificial deve funcionar confinado no corpo humano e sem precisar de ferramentas externas ou baterias. Os corações artificias que temos hoje só são capazes de dar um pouco mais tempo de vida aos pacientes que esperam por um transplante. Fato é que a tecnologia terá um longo caminho pela frente antes de conseguir substituir por completo um coração de verdade.

Via: Business Insider