Pesquisa da Microsoft pode revolucionar o combate a epidemias virais

Por Redação | 23 de Junho de 2016 às 16h10
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O Zika vírus e o Aedes aegypti têm chamado a atenção não só das autoridades e da comunidade científica do Brasil, mas também de outras partes do mundo. Cientistas do distrito de Harris, no Texas, apresentaram uma nova ferramenta contra o mosquito vetor, uma armadilha melhorada que pode ser a maior inovação na área em décadas. A pesquisa é parte do Projeto Premonição, da Microsoft, que procura combater doenças antes de elas alcançarem as pessoas.

Para o diretor de saúde pública do distrito Mustapha Debboun, a tecnologia é mil vezes melhor do que a que havia disponível. O protótipo foi desenvolvido para acelerar processos manuais e até mesmo fazer o que antes não era possível, como capturar apenas um determinado tipo de mosquito que estiver sendo combatido em vez de atrair uma nuvem de insetos. A armadilha pode ainda informar o momento exato em que cada mosquito foi capturado e as condições sob as quais isso aconteceu, como temperatura, umidade e velocidade do ar. "Teremos uma quantidade de informações sobre o comportamento dos insetos que nunca tivemos acesso antes", explica o pesquisador da Microsoft Ethan Jackson, líder do projeto.

Projeto Premonição

A equipe de cientistas espera que as novas armadilhas forneçam mais rapidamente informações precisas sobre focos de mosquitos que oferecem riscos de doenças graves, como a dengue, Zika, chikungunya e outras. Para reunir todas as informações, a invenção utiliza dois microprocessadores a bateria que as transmitem para a nuvem. A armadilha aposta ainda no sistema de aprendizado de máquina para interpretar comportamentos de cada espécie de mosquito.

O sistema foi projetado para reconhecer qual mosquito capturar de acordo com a maneira que cada espécie bate as asas, assim, o algoritmo identifica o inseto e aciona o sistema de captura no momento adequado. Cada mosquito fica preso em uma "cela" individual, o que permite conseguir as informações detalhadas de cada captura. "Ao capturar informações que nunca seríamos capazes de registrar, ele nos permite soluções reais, como definir quais redes de proteção são mais adequadas", explica o professor de microbiologia e imunologia da JH School of Public Health Douglas Norris.

Projeto Premonição

Quando foi lançado em 2015, o Projeto Premonição não tinha a pretensão de trabalhar diretamente com questões de saúde pública como o Zika vírus. Inicialmente, a Microsoft traçava um plano de cinco anos de pesquisa com o objetivo de ajudar autoridades a identificar o próximo problema de saúde antes que este chegasse a grandes centros com população.

"O Projeto Premonição foi criado para identificar um surto como Zika antes que ele aconteça", explica o pesquisador da Universidade de Pittsburgh Jim Pipas. É importante salientar que o projeto não foca no tratamento das doenças. "Isso não vai resolver o problema da dengue, zike e chikungunya, mas esperamos que o projeto nos ajude a detectá-las", afirma Norris.

Próximo passos

Além das armadilhas e sistemas de análise computadorizados, o Projeto Premonição também prevê a utilização de drones para deter infecções de vírus. Futuramente, os drones podem carregar câmeras com visão computadorizada até as áreas com foco da doença para identificar focos de insetos, além de transportar as armadilhas para regiões remotas.

Fonte Microsoft

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