Pesquisa a aponta que Uber estaria superfaturando o preço cobrado de passageiros

Por Redação | 03 de Maio de 2017 às 16h16

Usar o termo “polêmica” em uma notícia sobre o Uber já está se tornando praxe. Depois de tantos problemas que envolvem desde o apoio do CEO da empresa a Donald Trump até a gravíssima acusação de roubo de propriedade intelectual do Google sobre carros autônomos. A controvérsia da vez envolve um estudo que acusa a empresa de superfaturar o preço das corridas ao estipular um valor antecipadamente para o trajeto a ser realizado.

De acordo com dados de 165 corridas avaliados pela empresa de consultoria The Rideshare Guy, a Uber estaria cobrando mais dos passageiros e pagando o “valor real” aos motoristas. Isto seria possível graças ao novo sistema de cobranças implementado pela plataforma no último ano.

Desde a última grande mudança nesse sentido, quando o passageiro solicita uma corrida, ele já vê o valor final do trajeto. O montante só é alterado caso o aplicativo identifique que houve paradas significativas dentro do percurso ou então mudanças de rota. Contudo, o motorista ainda é pago apenas de acordo com a quantidade de quilômetros rodados e o tempo levado para ir do ponto inicial até o ponto final.

Ou seja, você paga um valor fechado — e sabe qual será antecipadamente —, mas nada mudou de fato para o motorista. Assim, de acordo com a pesquisa, em um montante de 82 corridas pelo UberX, a modalidade mais em conta do serviço, a companhia estaria levando US$ 163 a mais.

Diferença em favor do Uber

Segundo Harry Campbell, fundador da The Rideshare Guy, a diferença entre o valor cobrado do passageiro e aquele pago ao motorista sempre trabalha a favor da Uber. Além disso, a ausência de transparência já conhecida da companhia também prejudica o compreendimento exato deste tipo de situação.

“O problema deste sistema é que ele é ideal para o abuso”, comenta o executivo, que também trabalha dirigindo carros para a Uber. “A Uber não tem um grande histórico de transparência e eles estão basicamente nos dizendo ‘Confie em nós, nós prometemos não tirar vantagem deste sistema.’”

Apesar de haver uma recíproca na qual a Uber ganha menos em determinadas modalidades — segundo o estudo, em um espectro de 49 corridas, a companhia “perdeu” US$ 108 —, no geral, a diferença é sempre a favor da empresa. Ao todo, nas 165 corridas analisadas, a startup faturou US$ 86 a mais.

“É difícil afirmar que eles estão pagando menos ao motorista, visto que ele recebe exatamente a quantia baseada na quilometragem e no tempo, mas eles obviamente estão cobrando a mais do passageiro”, confirma Campbell em entrevista ao jornal Financial Times.

Via Financial Times

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